Uma sociedade de António Vitorino, ex-ministro da Presidência e da Defesa no Governo de António Guterres, é apontada pela justiça espanhola num esquema de corrupção e branqueamento de capitais que envolve o antigo embaixador de Espanha em Lisboa, Raul Morodo.
Vitorino terá recebido 325.200 mil euros de Raúl Morodo e de Alejo Morodo, o filho do diplomata, segundo o “Okdiario”. Mas num comunicado emitido pela OIM, o ex-governante socialista disse não ter sido informado pelas autoridades espanholas acerca da investigação
O jornal digital espanhol revela que os Morodo são suspeitos de corrupção e branqueamento de capitais e, de acordo com a acusação da Unidade de Delinquência Económica e Fiscal (UDEF) de Espanha, pagaram a Vitorino depois de terem cobrado 4.4 milhões à PDVSA, empresa petrolífera venezuelana que, naquele momento, era controlada pelo Governo de Hugo Chávez.
Nos relatórios dirigidos ao juiz Santiago Pedraz, a que o jornal “OkDiario” teve acesso, a UDEF aponta que os pagamentos dizem respeito ao acordo empresarial com o qual a Galp se comprometeu a construir quatro parques eólicos na Venezuela, bem como a comprar petróleo bruto à PDVSA, em 2008. O acordo foi assinado entre o então primeiro-ministro português José Sócrates e Chávez.
Entretanto, entre 2012 e 2016, ocorreram três transferências bancárias da Morodo Abogados y Asociados SL (detida em 80% por Alejo e em 20% por Raúl) com destino à Ebau Consultores Lda. Os administradores da Ebau Consultores Lda. são António Vitorino, que ocupa actualmente as funções de director-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), e a mulher, Maria Beatriz Demony de Carneiro Pacheco. Contas feitas, foram transferidos 255.200 mil euros: 102 mil em 2012, 102 mil em 2014 e 51.200 mil em 2016. Os pagamentos referem-se a «serviços profissionais de consultoria em relações internacionais e assuntos europeus», diz o jornal.
Já em 2011 e 2012, a Ebau Consultores Lda. recebeu mais dois pagamentos que totalizaram 70 mil da Aequitas Abogados e Consultores SL, a empresa usada por Alejo Morodo para ser pago pela PDVSA.
Entre 2008 e 2013, a Galp também pagou mais de 150 mil às sociedades de Alejo Morodo. «Uma quantia insignificante em comparação com os 4,4 milhões de euros que recebeu, através da Suíça e do Panamá , da companhia petrolífera PDVSA controlada por Hugo Chávez, que manteve uma estreita amizade pessoal com o seu pai, o embaixador Raúl Morodo», escreve o jornal espanhol.





