Cerca de 200 escolas do 2º e 3º ciclo em França começaram esta semana a testar uma “pausa digital” – uma proibição total dos telemóveis na sala de aula, que tem por objetivo reduzir o tempo de utilização dos ecrãs e combater o cyberbullying, uma medida que foi bem acolhida tanto pelo pessoal escolar como pelos alunos.
Se a experiência for bem-sucedida, a proibição será aplicada em todas as escolas francesas a partir de janeiro de 2025.
Uma das escolas-piloto é a secundária Claudine Hermann, nos subúrbios do sul de Paris, onde os alunos começam a manhã a entregar os seus telemóveis. “Isto faz com que os alunos se habituem a estar sem telemóvel durante todo o dia e ensina-os a viver de forma diferente, mesmo durante o recreio, em vez de estarem sempre ao telemóvel”, referiu Fabien Leroux, supervisor da escola, citado pelo site ‘Euronews’.
“Estamos aqui para nos divertirmos, por isso não faz sentido ter um telemóvel”, explicou Victor, de 11 anos. A mesma opinião de Halima, outra aluna do 6º ano. “Acho que é uma ideia muito boa porque os telemóveis podem distrair durante as aulas. É melhor não os ter à nossa frente durante a aula.”
Durante todo o dia escolar, os telemóveis são guardados em cinco pastas resistentes, sendo que o Estado francês não contribuiu para o financiamento deste testes. De acordo com François Sauvadet, presidente da Associação dos Departamentos de França, se a proibição fosse aplicada a nível nacional, poderia custar às 7.000 escolas deste tipo no país cerca de 125 milhões de euros em novos equipamentos.
No entanto, a ministra da Educação cessante, Nicole Belloubet, tem uma opinião diferente: esta terça-feira, durante uma visita à escola Claudine Hermann, salientou que “os custos financeiros parecem-me bastante modestos. As pastas escolhidas por esta escola para guardar os telemóveis custam cerca de 60 euros cada e foram pagas com fundos próprios”.
Como ainda não foi formado um novo Governo após as eleições legislativas antecipadas convocadas pelo presidente Emmanuel Macron, qualquer decisão sobre se esta proibição deve ser alargada a todo o país no próximo ano será tomada pelo futuro ministro da Educação.






