Portugal despede-se este sábado de António Lobo Antunes, um dos maiores escritores da literatura portuguesa contemporânea, num dia marcado por luto nacional e por várias homenagens institucionais. O funeral realiza-se em Lisboa, após uma cerimónia religiosa no Mosteiro dos Jerónimos, e reúne familiares, amigos, leitores e representantes do mundo político e cultural.
O Governo decretou um dia de luto nacional, aprovado em Conselho de Ministros, em homenagem ao autor, que morreu aos 83 anos. Em simultâneo, a Câmara Municipal de Lisboa declarou luto municipal, com as bandeiras da cidade colocadas a meia haste em todos os edifícios municipais.
Funeral realiza-se esta manhã em Lisboa
As cerimónias fúnebres decorrem a partir das 10h00, com a celebração de uma missa de corpo presente às 12h00 na Igreja de Santa Maria de Belém, no Mosteiro dos Jerónimos.
Após a cerimónia religiosa, o cortejo fúnebre segue para o Cemitério de Benfica, onde o escritor será sepultado.
A despedida pública surge depois de o corpo ter estado em câmara ardente no mesmo local, permitindo que leitores e admiradores prestassem a última homenagem ao autor.
Dia de luto nacional em homenagem ao escritor
O decreto do Governo que estabelece o luto nacional sublinha o impacto cultural de António Lobo Antunes, considerado uma das figuras maiores da literatura portuguesa.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, classificou o escritor como “uma figura maior da cultura portuguesa”, afirmando que a sua obra constitui “uma crónica profunda da humanidade e do olhar português sobre o mundo”.
O Governo propôs também ao Presidente da República a atribuição do Grande-Colar da Ordem de Camões, uma distinção destinada a reconhecer o contributo excecional do escritor para a língua e a cultura portuguesas.
Lisboa presta homenagem a um dos seus maiores autores
A Câmara Municipal de Lisboa associou-se às homenagens, destacando o papel de António Lobo Antunes como um dos grandes intérpretes da sociedade portuguesa nas últimas décadas.
O presidente da autarquia, Carlos Moedas, afirmou que foi um privilégio viver no tempo do escritor, considerando que Lobo Antunes pertence à “rara aristocracia da literatura mundial”.
Também a Junta de Freguesia de Benfica, onde o escritor residia, decretou três dias de luto local, recordando a ligação profunda do autor ao bairro e à cidade.
Uma obra central da literatura portuguesa
António Lobo Antunes nasceu em Lisboa em 1942, licenciou-se em Medicina pela Universidade de Lisboa e especializou-se em Psiquiatria, profissão que exerceu no Hospital Miguel Bombarda antes de se dedicar à escrita a tempo inteiro.
Estreou-se na literatura em 1979 com “Memória de Elefante”, seguindo-se obras marcantes como Os Cus de Judas, Conhecimento do Inferno ou Explicação dos Pássaros, muitas delas inspiradas pela experiência da guerra colonial e pela observação da condição humana.
Ao longo da carreira recebeu várias distinções literárias, entre as quais o Prémio Camões em 2007, além de prémios nacionais e internacionais que consolidaram a sua reputação como um dos mais importantes escritores de língua portuguesa.
Neste sábado de luto nacional, Portugal presta a última homenagem a um autor cuja obra continua a marcar profundamente a literatura contemporânea.














