O ouro está a viver um momento excecional em 2024, superando todos os principais mercados de ações até o momento. O metal precioso atingiu um novo recorde de valor, com uma barra padrão a superar pela primeira vez a marca de um milhão de dólares.
O desempenho do ouro é notável, considerando especialmente a sua aparente indiferença a fatores económicos tradicionais, como o dólar americano e as taxas de juros dos EUA. Até à pandemia de Covid-19, as taxas de juros reais ajustadas pela inflação eram um dos principais impulsionadores dos preços do ouro, mas atualmente esse não parece ser o caso, como explica a ‘Bloomberg’.
Curiosamente, enquanto o ouro atinge novos recordes, os ativos correlacionados, como a prata e as mineradoras de ouro, não acompanharam o mesmo ritmo. A prata, às vezes chamada de “ouro em alta”, não conseguiu ultrapassar a barreira dos 30 dólares por onça, e as ações das mineradoras de ouro, frequentemente criticadas pelo seu baixo desempenho, ficaram atrás do preço do metal que extraem.
A pergunta que surge é: o que está a impulsionar essa alta no mercado de ouro? A resposta pode estar nas suas características intrínsecas. O ouro é considerado um “dinheiro de reserva” devido à sua durabilidade, fungibilidade e divisibilidade, características que o tornam um ativo valioso em tempos de incerteza económica e política.
Historicamente, o ouro tem sido um recurso fiável em situações de instabilidade, como evidenciado por países que enfrentam crises, como a Venezuela. Em contextos de colapso monetário, o ouro oferece uma forma de preservar a riqueza, ao contrário de moedas locais desvalorizadas.
O recente aumento no valor do ouro é impulsionado em parte pelos bancos centrais, que têm sido compradores significativos.
Este cenário contrasta com a era pós-Bretton Woods, quando o então chanceler britânico Gordon Brown vendeu metade das reservas de ouro do Reino Unido entre 1999 e 2002 para apoiar a criação do euro. Essa decisão foi amplamente criticada, mas refletiu uma confiança na estabilidade financeira e na inovação monetária da época.
Atualmente, a hegemonia do dólar americano está a ser questionada, especialmente com a crescente complexidade geopolítica e o risco de países serem excluídos do sistema financeiro global. Em resposta, o ouro voltou a ser visto como um recurso de valor inestimável, essencial para quem teme a instabilidade monetária.
Para investidores individuais, o ouro é recomendado como um seguro de portefólio, uma reserva de valor que deve ser parte de uma alocação de ativos diversificada. Embora os derivados como a prata e as ações de mineradoras possam ter momentos de alta, eles não são vistos como investimentos de longo prazo e podem ter ciclos de valorização e desvalorização.
Em resumo, o ouro continua a afirmar-se como um ativo fundamental em tempos de incerteza, mantendo p seu papel histórico como “dinheiro de reserva”, oferecendo uma proteção valiosa contra as flutuações económicas e políticas globais.





