Num cenário cada vez mais competitivo e num mercado imobiliário cada vez mais complicado, a taxa mista tornou-se a opção dominante para novos créditos à habitação, relegando o regime variável associado às taxas Euribor para a segunda posição. Os dados mais recentes do Banco de Portugal (BdP) revelam uma mudança notável nesta tendência.
Em Junho de 2024, 78,1% dos novos empréstimos à habitação foram contratados com taxa mista, um aumento substancial em relação aos 76,1% registados em Maio. Este tipo de taxa combina um período inicial com uma taxa de juro fixa, seguido por uma taxa variável, e tem ganho popularidade devido às suas condições mais favoráveis em comparação com as taxas variáveis ou associadas às taxas Euribor.
A crescente preferência pelas taxas mistas está a ter um impacto significativo na composição da carteira de crédito à habitação, sendo que estas já representam mais de um quarto da carteira total de créditos para comprar casa. Em Junho, as taxas mistas representavam já 25,7% do stock total de crédito à habitação, um aumento impressionante em relação aos 6,4% registados em Dezembro de 2022. Este crescimento reflete uma mudança clara nas preferências dos consumidores e na estratégia dos bancos.
A ascensão das taxas mistas também influenciou a taxa média dos novos empréstimos. Em Junho, a taxa média caiu para 3,59%, uma diminuição de 0,02 pontos percentuais em relação ao mês anterior. Esta taxa média é inferior à taxa de juro média das novas operações de crédito à habitação, que passou de 3,71% em Maio para 3,68% em Junho. Esta discrepância é atribuída às renegociações de crédito, que apresentam uma taxa média mais alta, situada nos 4,03%, embora tenha diminuído 0,04 pontos percentuais face ao mês anterior.
O valor total de novos empréstimos para a compra de casa registou uma diminuição significativa em Junho, reduzindo-se em 178 milhões de euros para 1.934 milhões de euros. Esta redução pode estar parcialmente ligada à expectativa da implementação da garantia pública pelo Governo, que visa permitir aos jovens acederem a 100% do crédito à habitação. A medida, inicialmente prometida para entrar em vigor a 1 de Agosto, ainda não teve o seu início confirmado, o que pode ter contribuído para a queda no volume de novos empréstimos.







