O homem responsável pela “fotografia mais vista de todos os tempos” contou como conseguiu a famosa ‘chapa’ e que deveu, pelo menos em parte, à sorte.
Numa entrevista à revista ‘People’, o fotógrafo Charles O’Rear explicou que carrega sempre uma câmara consigo porque “nunca se sabe”. Nesse dia, no início de 1996, O’Rear estava a conduzir de St. Helen, na Califórnia, para o condado de Marin para visitar a sua agora mulher, Daphne Larkin, quando parou para tirar uma fotografia.
“Eu costumava parar muitas vezes para tirar fotos. Acho que a paisagem de lá era tão linda”, apontou. A fotografia que tirou, naquele dia de janeiro, ficou conhecida como ‘Bliss’ e ganhou fama como a imagem de fundo da Microsoft no ecrã de um computador.
Apresentando colinas verdejantes e exuberantes e um céu azul brilhante pontilhado por nuvens brancas perfeitas e fofas, a fotografia vibrante parece ter passado pelo Photoshop. No entanto, não foi esse o caso. “Quando está em filme, o que você vê é o que você obtém”, explicou O’Rear – o fotógrafo que tirou a imagem usando uma câmara Mamiya RZ67 com Fuji Film colorido e um tripé.
“Não havia nada de incomum. Usei um filme que tinha cores mais brilhantes, o Fuji Film da época, e as lentes do RZ67 eram simplesmente notáveis”, referiu. “O tamanho da câmara e do filme juntos fizeram a diferença e acho que ajudou a fotografia a destacar-se ainda mais. Acho que se eu tivesse filmado com 35 milímetros, não teria o mesmo efeito”, referiu.
Dois anos depois, a imagem de O’Rears acabou nas mãos de Bill Gates, da Microsoft, depois que o grupo Corbis de Gates ter comprado a agência de fotografia Westlight – a Microsoft comprou a fotografia por 100 mil dólares e o resto é história.
E, embora o fotógrafo tenha passado mais de duas décadas a trabalhar para a ‘National Geographic’, ‘Bliss’ continua a ser a sua imagem mais famosa. “Quando morrer, na lápide, não vamos dizer ‘National Geographic’, vamos dizer ‘Fotógrafo da ‘Bliss”””, revelou.
“A imagem está em toda a parte, como todos sabemos. A imagem, não importa onde estivemos no mundo – Índia, Tailândia, Grécia – essa imagem está sempre lá, seja em algum computador antigo num hotel de luxo ou vimos aquela foto em outdoors, aviões, em aeroportos”, apontou O’Rear, salientando: “Tenho uma teoria de que qualquer pessoa a partir dos 15 anos se lembrará desta fotografia pelo resto da vida.”













