Baixos salários, condições de trabalho degradadas: Bancários da UGT entregam diagnóstico do setor a Marcelo e aos partidos

Os sindicatos bancários da UGT entregaram esta terça-feira à Presidência da República e aos Grupos Parlamentares o “Diagnóstico do Setor Financeiro”, com o objetivo de sensibilizar as entidades políticas para a difícil situação laboral e social dos trabalhadores e reformados do sector bancário.

Pedro Gonçalves
Julho 23, 2024
17:18

Os sindicatos bancários da UGT entregaram esta terça-feira à Presidência da República e aos Grupos Parlamentares o “Diagnóstico do Setor Financeiro”, com o objetivo de sensibilizar as entidades políticas para a difícil situação laboral e social dos trabalhadores e reformados do sector bancário.

Os seis sindicatos bancários — MAIS, SIB, SBN, SBC, SinTAF e STEC — estiveram reunidos esta terça-feira com o grupo parlamentar da Iniciativa Liberal, na quinta ronda de encontros com entidades oficiais. Estas reuniões já incluíram grupos parlamentares do Partido Socialista, Chega, Partido Comunista Português e assessores do Presidente da República. Outros partidos com representação parlamentar e entidades oficiais ainda estão a agendar reuniões.



O principal objetivo destas audiências, indicam os sindicatos, é alertar para a necessidade de ação política, pressionando o sector bancário a modificar comportamentos e atitudes de prepotência. Os sindicatos têm destacado a crítica situação laboral dos bancários e a dependência das atualizações das pensões dos reformados em relação aos bancos.

O “Diagnóstico do Setor Financeiro”, elaborado pelos seis sindicatos e divulgado em junho, detalha a difícil situação dos bancários. Este documento foi enviado ao Presidente da República e aos grupos parlamentares, juntamente com pedidos de audiência. Os sindicatos representam mais de 90 mil bancários, ativos e reformados, e têm utilizado estas reuniões para esclarecer dúvidas e fornecer uma descrição completa dos problemas enfrentados.

A realidade da classe bancária tem vindo a deteriorar-se nas últimas duas décadas. O número de bancários no ativo reduziu-se drasticamente devido a rescisões por mútuo acordo e despedimentos, como nos casos do BCP e do BST, que apesar dos lucros elevados, impuseram cortes significativos.

Nos últimos anos, a banca tem registado lucros significativos, que aumentam a cada trimestre. Em 2023, o aumento da rendibilidade foi de 15,1%, superando a média europeia de 10,9% e a de Espanha de 12,6%. Os bancos vão entregar aos acionistas 1,3 mil milhões de euros, o dobro do ano anterior. Em contraste, os aumentos salariais dos bancários têm ficado sempre abaixo da inflação, resultando numa perda efetiva de 7,3% do poder de compra dos trabalhadores e reformados. Muitos bancários, que anteriormente tinham rendimentos médios elevados, agora encontram-se próximos do salário mínimo, apesar das suas qualificações académicas.

Além dos problemas salariais, as condições de trabalho têm-se degradado continuamente, denunciam os sindicatos. Entre os vários problemas relatados pelos trabalhadores estão: assédio laboral, pressão para aceitar rescisões “por mútuo acordo”, estabelecimento de objetivos irrealistas, dificuldade em conciliar trabalho e vida familiar, cultura do medo, levando à não regulação das horas extraordinárias, aumento dos casos de burnout, redução do número de trabalhadores devido à digitalização, impactando negativamente a qualidade do serviço e aumento do trabalho precário através de outsourcing.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.