Marcelo troca o óleo pela arte urbana: Vhils assina retrato oficial feito de jornais. Obra é apresentada hoje

Opção artística rompe com a tradição das pinturas a óleo que marcaram retratos anteriores, substituindo o registo clássico por uma linguagem contemporânea e urbana

Francisco Laranjeira

O retrato oficial de Marcelo Rebelo de Sousa, da autoria de Vhils, será apresentado ao país esta quarta-feira, a poucos dias do fim do mandato presidencial – marcado para dia 9 – e ficará exposto no Museu da Presidência da República, em Belém.

Segundo o semanário ‘Expresso’, o quadro é composto por uma colagem de jornais nacionais e estrangeiros com notícias dos últimos dez anos, coincidindo com o período da Presidência de Marcelo Rebelo de Sousa. A opção artística rompe com a tradição das pinturas a óleo que marcaram retratos anteriores, substituindo o registo clássico por uma linguagem contemporânea e urbana.



A escolha de Vhils, nome artístico de Alexandre Farto, partiu do próprio Presidente. Conhecido internacionalmente pelos rostos esculpidos em paredes e intervenções urbanas de grande escala, o artista terá inicialmente recusado o convite, alegando distância política face ao chefe de Estado. Ainda assim, acabou por aceitar, considerando o desafio um reconhecimento do seu percurso e relevância cultural.

Em declarações citadas pelo ‘Expresso’, Vhils sublinha que Marcelo não interferiu no processo criativo nem fez exigências quanto ao resultado final. O artista visitou o Palácio de Belém, fotografou o Presidente e procurou construir um retrato “psicológico”, refletindo sobre a melhor forma de representar aquele que ficou conhecido como o “Presidente dos afetos”. Apesar de assumir não estar alinhado politicamente com Marcelo, reconhece-lhe o papel de “baluarte de ponderação” e a capacidade de aproximar a Presidência dos cidadãos, trabalhando com a esquerda e com a direita.

O próprio Marcelo Rebelo de Sousa explicou que escolheu Vhils por o considerar “um expoente, um símbolo de uma época”, à semelhança de outros artistas que marcaram os retratos presidenciais em momentos distintos da história democrática portuguesa.

A galeria de retratos oficiais dos Presidentes da República, cuja ideia remonta ao Estado Novo, integra obras de referência na arte portuguesa contemporânea. O retrato de António Ramalho Eanes é da autoria de Luís Pinto Coelho, o de Mário Soares foi pintado por Júlio Pomar, o de Jorge Sampaio por Paula Rego e o de Aníbal Cavaco Silva por Carlos Barahona Possolo.

Tornou-se tradição que os Presidentes revelem o retrato oficial apenas no final do segundo mandato. O de Cavaco Silva, por exemplo, foi apresentado a 4 de março de 2016, cinco dias antes de cessar funções. Marcelo segue agora o mesmo calendário simbólico, encerrando uma década em Belém com um retrato feito de manchetes e memória coletiva.

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