“Em vez de inclusão, semeia a divisão”: Orbán critica escolha de Costa, Von der Leyen e Kallas

Chefe de Governo húngaro salienta que a escolha dos representantes das famílias políticas europeias vai “semear a divisão” na União Europeia uma vez que apenas a esquerda e os liberais saem representados

Francisco Laranjeira
Junho 25, 2024
16:05

Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, critica esta terça-feira o acordo para a escolha de António Costa, Ursula von der Leyen e Kaja Kallas para os cargos de topo europeus. Numa publicação na rede social ‘X’, o chefe de Governo húngaro salienta que a escolha dos representantes das famílias políticas europeias vai “semear a divisão” na União Europeia uma vez que apenas a esquerda e os liberais saem representados.

“O acordo que o Partido Popular Europeu fez com a esquerda e com os liberais vai contra tudo aquilo em que se baseia a União Europeia”, escreve o líder húngaro. “Em vez de inclusão, semeia a divisão.”



“Os cargos de topo na União Europeia deviam representar todos os Estados-membros, não apenas os de esquerda e os liberais”, sublinha.

Os seis chefes de Governo e de Estado da União Europeia (UE) que, no Conselho Europeu, estão a negociar os cargos de topo, incluindo a nomeação de António Costa, chegaram hoje a acordo preliminar.

Depois de uma primeira tentativa falhada para acordo no jantar informal de líderes da UE a 17 de junho passado, estes negociadores (de centro-direita, socialistas e liberais) têm estado em conversações sobre os cargos de topo europeus no próximo ciclo institucional, discutindo-se o nome de António Costa para a liderança do Conselho Europeu, o de Ursula von der Leyen para segundo mandato na Comissão Europeia e o da primeira-ministra da Estónia, Kaja Kallas, para chefe da diplomacia comunitária.

Segundo fontes europeias hoje ouvidas pela Lusa, os negociadores chegaram a acordo partidário (que é preliminar) sobre estes nomes após uma reunião por videoconferência na segunda-feira à noite, que incluem também o de Roberta Metsola, que deverá ser reconduzida no cargo de presidente do Parlamento Europeu, apesar de não fazer oficialmente parte do pacote por não ser escolhida pelo Conselho Europeu.

Os negociadores são, pelo Partido Popular Europeu, o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, e o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk; pelos Socialistas, o chefe de Governo espanhol, Pedro Sánchez, e o chanceler alemão Olaf Scholz; e pelos Liberais, o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro neerlandês, Mark Rutte.

Este é, porém, um aval dos partidos e não final, que só poderá ser confirmado na cimeira de líderes no final desta semana em Bruxelas.

Esta ressalva é igualmente mencionada pelo ‘site’ Politico que avançou com este acordo preliminar e referiu que a próxima etapa será a reunião dos dirigentes da UE em Bruxelas, na qual os três nomes serão apresentados aos chefes de Estado e de Governo, para aprovação.

Apesar da sua demissão na sequência de investigações judiciais, o ex-primeiro-ministro português António Costa continua a ser apontado para suceder ao belga Charles Michel (no cargo desde 2019) na liderança do Conselho Europeu, a instituição da UE que junta os chefes de Governo e de Estado do bloco europeu, numa nomeação que é feita pelos líderes europeus, que decidem por maioria qualificada (55% dos 27 Estados-membros, que representem 65% da população total).

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