Os arguidos da Operação Influencer puderam consultar o processo pela última vez em janeiro, quando os advogados de defesa visitaram o DCIAP (Departamento Central de Investigação e Ação Penal) de Lisboa para folhear o processo e tirar notas. Desde então, refere esta sexta-feira o jornal ‘Expresso’, não voltaram a fazer uma consulta atualizada aos autos e permanecem sem acesso às escutas telefónicas sobre a operação que motivou a queda do Governo de António Costa.
Na altura, e sem que lhes tenham sido dadas cópias digitais dos autos, os advogados de vários arguidos queixaram-se ao juiz de instrução de lhes terem sido barrados os elementos recolhidos durante as buscas de novembro e as gravações em bruto das escutas, apesar de o segredo de justiça interno do processo ter caído em setembro de 2022, e exigiram o acesso à totalidade do material que consta no processo. Desde então, sem resposta.
Segundo o jornal semanário, os advogados ficaram perplexos com a divulgação das gravações que envolvem o antigo chefe de Governo e João Galamba, ex-ministro das Infraestruturas. Recorde-se que a ‘CNN Portugal’ revelou ter tido acesso “a todas as conversas e detalhes dos 21 volumes e 16 apensos da Operação Influencer”, assim como centenas de telefonemas intercetados a “mais de 10 alvos” entre 2019 e 2023.
A legislatura anterior foi interrompida na sequência da demissão de António Costa do cargo de primeiro-ministro, após ter sido divulgado que era alvo de um inquérito instaurado no MP junto do Supremo Tribunal de Justiça após ter sido extraída uma certidão do processo-crime Operação Influencer.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, aceitou a demissão e dois dias depois anunciou ao país a dissolução do parlamento e a convocação de eleições, que se efetuaram em 10 de março, dando a maioria à coligação Aliança Democrática, que reúne PSD, CDS-PP e /PPM.
A Operação Influencer levou na altura à detenção de Vítor Escária (chefe de gabinete de António Costa), Diogo Lacerda Machado (consultor e amigo de António Costa), dos administradores da empresa Start Campus Afonso Salema e Rui Oliveira Neves, e do presidente da Câmara de Sines, Nuno Mascarenhas, que ficaram em liberdade após interrogatório judicial.
Existem ainda outros arguidos, incluindo o agora ex-ministro das Infraestruturas João Galamba, o ex-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Nuno Lacasta, o ex-porta-voz do PS João Tiago Silveira e a Start Campus.
O caso está relacionado com o projeto de construção de um centro de dados na zona industrial e logística de Sines pela Start Campus, a produção de energia a partir de hidrogénio em Sines, e a exploração de lítio no distrito de vila Real, em Montalegre e Boticas.














