A mãe das gémeas luso-brasileiras terá garantido, no âmbito da consulta no Hospital de Santa Maria, que a “família dispunha de garantias de que todo o processo administrativo do medicamento teria as aprovações necessárias até à ministra da Saúde”, indica esta sexta-feira o ‘Correio da Manhã’.
Num email, Daniela Martins – que estará esta tarde no Parlamento a responder aos deputados na comissão de inquérito – deixou essa garantia à médica Teresa Moreno, segundo indicou a clínica à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS). No entanto, questionada sobre essa garantia, a mãe das gémeas referiu ao IGAS que, apesar de trocar emails com frequência com a médica, não se recordar dessa frase.
Recorde-se que em dezembro de 2023 a IGAS solicitou a Teresa Moreno, numa segunda audição, esclarecimentos sobre essa informação. “Estas são as informações mais relevantes nas 2 últimas semanas, apenas acrescentando que a mãe a certa altura, arrogantemente (e habitualmente é muito simpática) diz que só precisa da minha assinatura, pois tem todas as outras garantidas até à ministra da Saúde…”, salientando na altura que “nem comentei”.
Daniela Martins vai estar esta tarde na Assembleia da República
A mãe das gémeas tratadas no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, vai depor esta sexta-feira na comissão parlamentar de inquérito em modo presencial: inicialmente, a mãe das crianças, residente em São Paulo, Brasil, havia solicitado que a audição fosse realizada por videoconferência, alegando que a viagem até Portugal seria prejudicial para os cuidados das filhas, das quais é a “única cuidadora”. No entanto, posteriormente, disponibilizou-se para viajar até Portugal, sendo a viagem financiada pela Assembleia da República.
“A mãe é a única cuidadora das duas filhas e teria de se ausentar de casa quatro a cinco dias – longe das filhas – para estar aqui [em Portugal]. Como única cuidadora não considera que seja pertinente algo que possa fazer sem prejuízo das crianças”, referiu na altura Wilson Bicalho.
No passado dia 6, a mãe chegou a admitir vir a Portugal para prestar declarações, renunciando à possibilidade de testemunhar à distância por viver no Brasil.
“Sim, é possível. Apesar da prerrogativa de poder fazer de uma forma remota por não residir em Portugal, estou a averiguar com a mãe a disponibilidade financeira e de agenda para que vá pessoalmente a Portugal prestar os depoimentos”, disse Wilson Bicalho, na ocasião.
Na última segunda-feira, o presidente da comissão de inquérito, Rui Paulo Sousa, disse aos jornalistas que a audição da mãe das gémeas seria “em princípio por videoconferência”.
Em relação ao pai, não está agendada, uma vez que o parlamento ainda não teve resposta, referiu o também deputado do Chega.
As audições da comissão de inquérito sobre o caso das gémeas tratadas no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, com um medicamento que tem um custo de dois milhões de euros por pessoa, arrancaram na passada segunda-feira, com o depoimento do ex-secretário de Estado Adjunto e da Saúde António Lacerda Sales.
O presidente da comissão indicou também que os trabalhos vão decorrer até 26 de julho, sendo suspensos durante o mês de agosto, e retomam no dia 10 de setembro.
A audição à mãe das crianças está agendada para as 14 horas.














