Há cada vez mais pessoas a doar o corpo à ciência para ensino e investigação, revelam especialistas

Houve 4.478 processos de intenção apresentados nos últimos cinco anos, tendo sido recebidos efetivamente 618 cadáveres entre 2019 e 2023

Revista de Imprensa
Junho 17, 2024
9:55

Há cada vez mais interessados em doar o corpo para fins de ensino e investigação, depois de uma queda devido à pandemia da Covid-19 – nos últimos quatro anos, cresceu 46%, revela esta segunda-feira o ‘Diário de Notícias’. Houve 4.478 processos de intenção apresentados nos últimos cinco anos, tendo sido recebidos efetivamente 618 cadáveres entre 2019 e 2023.

De acordo com Pedro Oliveira, presidente da Sociedade Anatómica Portuguesa (SAP-APP), a doação cadavérica é sinónimo de agradecimento e respeito pela generosidade dos doadores, embora tenha alertado que há pormenores técnicos “que devem ser melhorados”. A lei que regulamenta a dissecação cadavérica para fins científicos data de 1999, em que a grande alteração foi a introdução do consentimento obrigatório em vida. No caso de corpos não reclamados, podem ser utilizados salvo quando as pessoas expressaram a sua oposição em vida. Segundo Lia Neto, diretora do Instituto de Anatomia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), “agora, só cá está quem quer”.



No entanto, “há uma falta de uniformização do processo”, nota Pedro Oliveira. Já Lia Neto enfatiza a necessidade de uma lei mais explícita tecnicamente, “uma vez que haveria um documento concreto para negociar um maior financiamento”. De acordo com o presidente da SAP-AAP, a criação de um registo nacional de doadores “facilitaria a comunicação automática da morte, tornando mais eficaz o respeito pela vontade de todos”.

Já Lia Neto deseja que “o tema deixe o secretismo injustificado que ainda tem”, sugerindo a promoção de eventos para os doadores, com partilha de ideias entre estes e para a comunidade.

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