Crise na habitação faz disparar procura de garagens e lojas para viver

Solução mais económica está a atrair os clientes, mas a oferta é escassa, segundo apontam as mediadoras imobiliárias, que garantem que a reconversão dos imóveis é insuficiente para mitigar a crise

Revista de Imprensa

Os portugueses pretendem cada vez mais uma habitação numa antiga garagem ou loja, agora com uso habitacional de forma simplificada, revela esta segunda-feira o ‘Diário de Notícias’: a solução mais económica está a atrair os clientes, mas a oferta é escassa, segundo apontam as mediadoras imobiliárias, que garantem que a reconversão dos imóveis é insuficiente para mitigar a crise.

O Simplex dos licenciamentos urbanísticos, publicado em janeiro deste ano, fez aumentar a procura por estes espaços: a escassez de casas no mercado, assim como os altos preços, conduziram os portugueses a encontrar soluções alternativas de habitação: mas, de acordo com a publicação, também aqui há mais procura do que oferta.



Entre fevereiro e abril deste ano, a Re/Max sinalizou um aumento de 8,2% na procura de garagens, de 7,6% de lojas e de 1,1% de armazéns face aos três meses anteriores à publicação do diploma. Manuel Alvarez, presidente em Portugal, lembra que a rede da Re/Max “recebia, em média, 1.921 pedidos por mês de lojas nos três meses anteriores, mas nos três meses seguintes o número de pedidos ultrapassou os dois mil mensais, estando em média nos 2.067 por mês”. Em janeiro chegou aos 2.375 pedidos. “Se nos restringirmos apenas aos negócios de compra/venda, a procura de lojas aumentou 18,4% entre os dois períodos e no conjunto dos três tipos de imóveis situou-se nos 14%”, aponta.

Já Rui Torgal, CEO da Era, reconhece “um evidente aumento de procura por este tipo de imóveis desde o início do ano”. Nos primeiros cinco meses deste ano, a Era Portugal registou “um incremento de 84% nas vendas reportadas de garagens, 172% nas lojas, e 158% de armazéns” face ao mesmo período de 2023.

De acordo com Marco Tairum, CEO da Keller Williams Portugal, a procura destes espaços deve-se a uma questão económica. “Garagens, armazéns e em alguns casos também lojas e escritórios têm um preço por metro quadrado mais atrativo do que o imóvel destinado a habitação”, reforça. No entanto, apesar da possibilidade de reconversão dos espaços, o número destes para venda é igual a 2023 – cerca de 800 espaços. A Era registou um aumento homólogo de 30% nas angariações de garagens nos primeiros cinco meses deste ano, mas uma quebra de 30% na captação de espaços comerciais e de 25% de armazéns.

A oferta está concentrada nas grandes cidades. Na Re/Max, 8,6% destes imóveis estão no concelho de Lisboa, 5,1% em Sintra, 3% em Braga, 2,8% em Guimarães, 2,7% em Oeiras e 2,3% no Porto. Na Era, são as duas maiores metrópoles do país que agregam mais oferta, mas Leiria destacou-se como a cidade com mais angariações de garagens nos últimos cinco meses.

O Simplex dos licenciamentos urbanísticos permite a reconversão de imóveis para uso habitacional de espaços qualificados para equipamentos, comércio e serviços. Os interessados têm apenas de comunicar previamente a sua intenção à autarquia, que tem 20 dias para responder ou iniciar o processo de vistoria.

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