Cientistas descobrem uma doença potencialmente fatal relacionada com a Covid-19

O que é um MIP-C, uma misteriosa doença potencialmente fatal relacionada à Covid-19

Francisco Laranjeira

O que é um MIP-C, uma misteriosa doença potencialmente fatal relacionada à Covid-19?

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Pradipta Ghosh, professora da Escola de Medicina da UC San Diego (EUA), recebeu um e-mail de Dennis McGonagle, professor de reumatologia da Universidade de Leeds, no Reino Unido, que marcou o arranque de uma colaboração internacional para tentar desvendar um mistério relacionado com a Covid-19 e que culminou na descoberta de um síndrome antes negligenciado. O estudo dos investigadores foram publicados no ‘eBioMedicine’, um jornal publicado pela ‘The Lancet’.

De acordo com Gosh, McGonagle salientou que “estavam a ver casos leves da Covid-19. Cerca de 90% da população de Yorkshire (Reino Unido) estava vacinada mas estavam a surgir casos de uma doença auto-imune muito rara chamada MDA5 (‘dermatomiosite associada a autoanticorpos’ – ‘DM’) em pacientes que podem ou não ter contraído a Covid-19, ou podem nem se lembrar se foram expostos a ele”, explicou Gosh.

McGonagle contou-lhe sobre pacientes com cicatrizes pulmonares graves, alguns dos quais apresentavam sintomas reumatológicos (erupções cutâneas, artrite, dores musculares) que frequentemente acompanham a doença pulmonar intersticial. “O DM é mais comum em pessoas de ascendência asiática, principalmente japoneses e chineses. No entanto, McGonagle estava a perceber essa tendência explosiva em casos em caucasianos”, lembrou Ghosh – no entanto, o mais grave foi perceber que alguns destes pacientes evoluíram rapidamente para a morte.

O estudo começou com a deteção de autoanticorpos contra MDA5 pelo laboratório de McGonagle – uma enzima sensível ao RNA cujas funções incluem a deteção da Covid-19 e outros vírus de RNA Um total de 25 pacientes do grupo de 60 desenvolveram cicatrizes pulmonares, também conhecidas como doença pulmonar intersticial.

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Pradipta Ghosh observou que as cicatrizes pulmonares eram más o suficiente para causar a morte de oito pessoas do grupo devido à fibrose progressiva. De acordo com a especialista, já existiam perfis clínicos estabelecidos de doenças autoimunes MDA5. “Mas isto foi diferente”, salientou. “Foi diferente no comportamento e na taxa de progressão – e no número de mortes.”

De acordo com os cientistas, os pacientes que apresentaram o nível mais alto de resposta ao MDA5 também apresentaram níveis elevados de interleucina-15. “A interleucina-15 é uma citocina que pode causar dois tipos principais de células imunológicas. Isso pode levar as células à beira da exaustão e criar um fenótipo imunológico que é muitas vezes visto como uma marca registada da doença pulmonar intersticial progressiva ou da fibrose pulmonar”, referiu.

Ghosh e a equipa da Universidade da Califórnia em San Diego exploraram os dados de Dennis McGonagle com o BoNE – o ‘Boolean Network Explore’ é uma poderosa estrutura computacional que opera ‘big data’, que permitiu à equipa estabelecer a causa da síndrome de Yorkshire – e identificar um polimorfismo específico de nucleotídeo único que é protetor. Por direito de descoberta, o grupo conseguiu dar um nome à condição: MDA5-autoimunidade e Pneumonite Intersticial Contemporânea com COVID-19: abreviadamente, é MIP-C.

De acordo com Ghosh, é extremamente improvável que o MIP-C se limite ao Reino Unido, já que os relatos de sintomas vêm de todo o mundo, salientando que a identificação da interleucina-15 pela equipa como uma ligação casual possa estimular a pesquisa sobre o tratamento.

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