A maior parte dos exploradores modernos quer chegar a locais antigos ou marcos históricos: depois há aqueles que só pretendem ficar o mais longe possível deles todos. É o caso do explorador britânico Chris Brown, que espera chegar a ‘Point Nemo’ – o lugar mais remoto da Terra e um cemitério de centenas de detritos especiais.
Situado no centro do Oceano Pacífico, o ‘Point Nemo’ está tão longe de qualquer terra que os humanos mais próximos vivem… na Estação Espacial Internacional, a 488 quilómetros de altitude.
Se tiver sucesso, o empresário de Harrogate, de 62 anos, tornar-se-á o primeiro britânico a completar uma expedição científica até aquele ponto remoto, lembrou o tabloide britânico ‘Daily Mail’. “Vou tentar entrar na água se for possível. Também espero abrir uma garrafa de espumante quando lá chegar”, apontou o explorador.
Chris Brown e o seu filho Mika, de 32 anos, partiram no passado dia 12 a bordo de um iate de expedição fretado, o ‘Hanse Explorer’, de Puerto Montt, do Chile. O iate costuma realizar expedições turísticas à Antártida e estava programado para passar bem perto do ‘Point Nemo’. “Após um pouco de negociação, os proprietários concordaram com o nosso ligeiro desvio”, apontou Brown.
O ‘Point Nemo’ – é também conhecido como o ‘Polo Oceânico da Inacessibilidade’ – recebeu o nome em homenagem ao famoso marinheiro submarino das ‘Vinte Mil Léguas Submarinas’ de Júlio Verne e é o lugar mais remoto da Terra. Esta localização oceânica remota está localizada nas coordenadas 48°52,6′S 123°23,6′W, o que o coloca a quase 2.700 quilómetros da massa de terra mais próxima – a ilha Ducie.
A sua posição remota tornou-o num local popular para agências espaciais, que o usam como cemitério para estágios de foguetes e satélites, pois permite que regressem à Terra com um risco mínimo. Desde 1971, mais de 260 pedaços de detritos espaciais encontraram o seu local de descanso final nas águas ao redor de ‘Point Nemo’, incluindo a Estação Espacial Russa Mir.
Além de algumas pequenas ilhas, as grandes áreas habitadas mais próximas são Wellington, na Nova Zelândia, e Concepción, no Chile, ambas a mais de 4 mil quilómetros de distância.
Na próxima década, este trecho remoto do Pacífico será também o local onde será derrubada a Estação Espacial Internacional.
De acordo com os especialistas marítimos, “é possível que nenhum ser humano tenha alguma vez passado pelas coordenadas específicas”.
Chris Brown persegue o estatuto da primeira pessoa a alcançar todos os oito Polos Continentais de Inacessibilidade da Terra: o explorado britânico já alcançou cinco dos oito, alcançando os polos na Antártica, Oceânia, África, América do Norte e América do Sul. “Não considero que isto seja tão perigoso como as minhas expedições à África ou à Antártida”, garantiu.
“O perigo óbvio é que se está a quilómetros de qualquer lugar no mar e estará muito longe de qualquer uma das rotas marítimas, então, se houver um problema com o barco, a ajuda demoraria muito para chegar”, apontou.
Chris Brown pode ser aventureiro, mas também tem uma forte sensação de perigo: no ano passado, chamou a atenção dos media depois de ter sido revelado que recusou uma vaga na malfadada expedição submarina ao ‘Titanic’ – Brown garantiu que pagou um depósito por um assento a bordo do navio OceanGate. No entanto, desistiu da viagem ao descobrir que o submarino seria pilotado com controladores de consola de jogo, salientando que pareciam “de má qualidade”.














