A associação Fórum para a Competitividade prevê que a economia portuguesa cresça cerca de 2% este ano se as tensões no Médio Oriente abrandarem em breve e alerta para a volatilidade dos preços da energia.
“Assumindo, como a generalidade das instituições e dos mercados financeiros, que as tensões no golfo Pérsico abrandarão dentro de não muito tempo, o crescimento do PIB português em 2026 poderá não ser afetado de forma significativa e poderá ser próximo dos 2%”, antecipa a associação, numa nota de conjuntura hoje publicada.
Assumindo como pressuposto que o conflito no Médio Oriente “se mantém limitado, na duração e no âmbito, o FMI projeta um abrandamento do crescimento global de 3,4% em 2025 para 3,1% em 2026, recuperando ligeiramente para 3,2% em 2027”, enquadra o fórum, sublinhando que “a guerra no Médio Oriente deverá dominar o cenário económico internacional”.
“Quer os EUA quer o Irão têm interesse na conclusão rápida do atual impasse, o que é reforçado pelas expectativas implícitas nos vários mercados financeiros (futuros de petróleo, Euribor, ações, etc), mas, ainda assim, ambas as partes têm uma margem reduzida para recuar sem perder a face”, refere.
Para a associação, “a questão essencial continua a ser a da duração do conflito no Médio Oriente, sobretudo quando se dará a normalização da circulação pelo estreito de Ormuz”.
“Do lado dos EUA, somam-se os sinais a pedir uma resolução rápida: as eleições intercalares já estão a menos de seis meses de distância, as sondagens indicam os republicanos em clara perda, alguns senadores republicanos querem que o Congresso trave o conflito, a confiança dos consumidores (Michigan) atingiu um novo mínimo histórico, os preços ao consumidor dos combustíveis já subiram mais de 40% desde o início da guerra”, elenca.
Do lado do Irão, diz, “a pressão para um acordo rápido também é significativa, já que o bloqueio dos EUA está a afetar fortemente as receitas de venda de petróleo bem como o abastecimento de alimentos”.
Em Portugal, o Governo reviu em baixa na semana passada a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 de 2,3% para 2,0%, reviu em alta a estimativa da inflação de 2,1% para 2,5%, e alterou a projeção para as contas públicas, esperando um saldo orçamental nulo em vez de um excedente de 0,1% do PIB, segundo o Relatório Anual de Progresso (RAP) de 2026 entregue à Comissão Europeia em 30 de abril.
O Fórum para a Competitividade lembra que, no primeiro trimestre, “o PIB estagnou em cadeia, quando tinha aumentado 0,9% no trimestre anterior”, referindo que esta evolução foi “menos negativa do que o antecipado” e que, em termos homólogos, se registou “uma aceleração, de 1,9% para 2,3%”.
“O clima económico recuperou metade da queda sofrida no mês anterior, apesar da incerteza externa, enquanto a confiança dos consumidores voltou a registar uma forte queda, caindo para o valor mais baixo desde abril de 2023”, sublinha ainda.
Relativamente à evolução da inflação, entende que a probabilidade de o Banco Central Europeu (BCE) subir as taxas de juro na reunião de junho aumentou.
“Na atual conjuntura do conflito do Médio Oriente, mais do que os preços da energia estarem elevados, o que se salienta é a sua muito elevada volatilidade, a responder a cada declaração dos principais protagonistas”, refere o Fórum para a Competitividade.




