A FNAM – Federação Nacional dos Médicos – reafirmou a intenção dos clínicos em realizar a greve convocada para os dias 17 e 18 de outubro, assim como para 14 e 15 de novembro, apesar da reunião, esta quarta-feira, entre o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, e o ministro da Saúde, Manuel Pizarro. “Claro que a reunião é importante mas à Ordem cabe sobretudo a regulação da profissão. O bastonário está a atuar porque os médicos estão a exercer abaixo dos níveis de segurança recomendados pela Ordem”, reconheceu, à ‘Executive Digest’, Vitória Martins, vice-presidente da FNAM. “Mas não podemos esquecer que as negociações são feitas com os sindicatos médicos. A FNAM apresentou soluções durante os 16 meses de negociações que foram simplesmente ignoradas.”
“Estamos a atingir uma situação limite”, reconheceu a médica especialista em pneumologia no Hospital da Figueira da Foz. A FNAM vai “estar em frente ao ministério, no dia 17, a exigir ao ministro e ao Governo um plano emergente para salvar o SNS. Já apontámos soluções, agora é preciso pô-las em prática. Até ao momento não tivemos qualquer aproximação do ministério no sentido de resolver o problema”.
Até porque o ministro Manuel Pizarro “tem de deixar de confiar na sorte e passe à ação”. “Claramente, a opção política do Governo não tem sido salvar o SNS”, acusou a responsável.
De acordo com o organismo sindical, o Governo, em particular “Manuel Pizarro e António Costa”, têm “responsabilidade na destruição em curso do SNS”.
A decisão de muitos médicos em apresentar declarações de indisponibilidade para fazer mais de 150 horas extraordinárias por ano tem causado muitos constrangimentos em diversas instalações hospitalares do país, garantiu, em comunicado, a FNAM. “O retrato é de tal modo grave que o seu levantamento fala por si: Serviços de Urgências que já enfrentaram encerramentos: Barcelos, Caldas da Rainha, Chaves, Guarda, Santarém e Tomar”.
“Serviços de Urgência fortemente condicionados e com equipas insuficientes em Almada, Amadora, Aveiro, Barcelos, Barreiro, Braga, Bragança, Caldas da Rainha, Famalicão, Figueira da Foz, Lamego, Leiria, Lisboa, Matosinhos, Penafiel, Ponte de Lima, Porto, Póvoa de Varzim, Portalegre, Portimão, Santa Maria da Feira, Tomar, Torres Vedras, Viana do Castelo, Vila Nova de Gaia, Vila Real e Viseu além de Barcelos, Caldas da Rainha, Chaves, Guarda, Santarém e Tomar, onde além dos encerramentos também se verificam constrangimentos nos demais serviços”, apontou a FNAM, que salientou que “além dos serviços de urgência, há efeitos conexos, fruto da deslocação dos médicos de outros serviços para as escalas dos serviços de urgência, nos serviços de Anestesia, Cardiologia, Cirurgia, Ginecologia-Obstetrícia, Medicina Interna, Medicina Intensiva, Ortopedia e Pediatria”.
Por último, “as dificuldades nas maternidades. Com as urgências do Hospital de Santa Maria e do Hospital das Caldas da Rainha encerradas para obras, há condicionamentos graves em Almada, Amadora, Aveiro, Barreiro, Caldas, Leiria, Loures, Santarém, Setúbal, Vila Franca de Xira”.
“Conforme se pode verificar praticamente não sobra SNS ao Ministério da Saúde de Manuel Pizarro e ao Governo de António Costa, que devem ser responsabilizados por todas as consequências da sua irresponsabilidade e incompetência”, referiu a FNAM. “O tempo das negociações não produziu nada, foi uma encenação infrutífera, por decisão política do ministério de Manuel Pizarro e do Governo de António Costa, onde a única coisa que deixaram aos utentes e aos médicos foi o aprofundamento, unilateral, das razões que conduziram à atual situação, pelo que o tempo que agora vivemos é de soluções, tão urgentes como é todo o universo do SNS”.




