O vice-presidente da Câmara de Lisboa, Gonçalo Reis (PSD), apelou hoje à responsabilidade da Assembleia Municipal, em particular do PS, para aprovar o Contrato de Mandato para Execução de Ciclovias 2026/2027, considerando o risco de a proposta ser rejeitada.
Na quarta-feira, em reunião privada do executivo municipal, a proposta de Contrato de Mandato para Execução de Ciclovias 2026/2027, a celebrar com a EMEL – Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa pelo valor total de 6,32 milhões de euros (ME), foi aprovada com a abstenção do PCP e os votos contra de PS, Livre, BE e Chega.
Se estes partidos votarem contra na Assembleia Municipal, a proposta é rejeitada, uma vez que neste órgão deliberativo do município a coligação PSD/CDS-PP/IL não tem maioria absoluta, ao contrário da atual situação na Câmara, após a equipa liderada por Carlos Moedas (PSD) ter integrado a vereadora independente Ana Simões Silva (ex-Chega) na governação da cidade.
Perante este cenário, o vice-presidente da Câmara focou-se na posição do PS, considerando que “entraria em total contradição e comportar-se-ia como um partido de protesto radical se mantivesse a sua oposição a um investimento positivo, devidamente orçamentado e com elevado impacto para os cidadãos”.
“Os lisboetas não compreenderiam e não perdoariam tamanha irresponsabilidade e cinismo”, afirmou o social-democrata Gonçalo Reis, referindo-se ao possível voto contra do PS na Assembleia Municipal.
A governação PSD/CDS-PP/IL tem contado com o apoio do Chega para a viabilização de propostas, inclusive na Assembleia Municipal, mas nesta temática o partido de extrema-direita manifestou-se contra a expansão da rede ciclável, que considera resultar de “deriva ideológica”, e defendeu a supressão de 75% das ciclovias já existentes, acusando todos os outros partidos representados na Câmara de serem “fanáticos pelas ciclovias”.
Apesar de existir o risco de a proposta ser rejeitada, o vice-presidente da Câmara, que tem o pelouro da Mobilidade, disse que a governação PSD/CDS-PP/IL está segura de que “a Assembleia Municipal será responsável no seu conjunto e irá viabilizar este compromisso de investimento, já assumido e votado favoravelmente pelo executivo camarário, e já orçamentado”.
Gonçalo Reis reforçou que a cidade “não pode desperdiçar” esta disponibilidade da Câmara Municipal e da EMEL para investirem 6,32 ME na expansão da rede ciclável já este ano e no início de 2027, “construindo 8 km e avançando nos projetos para 23 km adicionais”.
“As soluções técnicas e os traçados detalhados estão prontos para avançar, permitindo a ligação de escolas à rede ciclável, a resolução de descontinuidades entre ciclovias e os projetos na frente ribeirinha”, apontou.
Atualmente, a rede ciclável executada é de 253 km, segundo dados da Câmara Municipal até dezembro de 2025.
Contra a proposta, a vereação do PS afirmou que o novo contrato “espelha uma enorme falta de ambição”, referindo que, dos 6,32 ME previstos, 5,51 ME correspondem a projetos que deveriam estar concluídos até 2025, ou seja, para novos projetos está apenas prevista uma verba de 814 mil euros, considerando que é “uma gota de água”, em comparação com o valor total de 27,49 ME consignado ao anterior contrato de mandato.
Também o Livre e o BE reforçaram que o novo contrato “reduz drasticamente” o investimento na rede ciclável, “com um corte superior a 85% já em 2027”.
A Assembleia Municipal de Lisboa, com um total de 75 membros, tem uma maioria de direita, com 32 eleitos de PSD/CDS/IL e seis do Chega, num total de 38 deputados, contra 37 de forças políticas de esquerda, nomeadamente 30 eleitos de PS/Livre/BE/PAN e sete da CDU.
Desfeitas as coligações eleitorais, há 10 grupos municipais, respetivamente de PS (24), PSD (22), IL (seis), Chega (seis), PCP (cinco), CDS-PP (quatro), Livre (três), BE (dois), PEV (dois) e PAN (um).













