“Portugal detém uma posição única no contexto do desenvolvimento das comunicações a nível mundial”, diz Country Manager da Colt

A Executive Digest falou com Carlos Jesus, Country Manager Colt Technology Services Portugal e VP Global Delivery da Colt Technology Services, para conhecer o potencial de Portugal como hub mundial de dados.

André Manuel Mendes

Os dados desempenham um papel fundamental nas empresas, tornando-se uma valiosa fonte de insights e vantagem competitiva.

Com o avanço da tecnologia e o aumento da conectividade, as organizações têm acesso a uma quantidade crescente de dados provenientes de diversas fontes, como transações, interações com clientes, redes sociais e dispositivos conectados.

Estes dados fornecem informações estratégicas para as tomadas de decisões, e permitem igualmente mitigar riscos, detetar fraudes e melhorar a segurança das organizações.

A Executive Digest falou com Carlos Jesus, Country Manager Colt Technology Services Portugal e VP Global Delivery da Colt Technology Services, para conhecer o potencial de Portugal como hub mundial de dados.

 

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Quais são as potencialidades de Portugal como hub de dados mundial é porque e que a Colt escolheu o país como local estratégico para operar?

Portugal é a porta de entrada para a Europa e uma via de acesso direto a um mercado composto por mais de 750 milhões de potenciais consumidores. Tendo isto em mente, a Colt tem feito investimentos significativos no nosso país, quer em infraestruturas e rede – para ajudar as empresas portuguesas a concretizarem os seus processos de transformação digital e internacionalização dos seus negócios, quer em pessoas. Hoje temos 2 redes de área Metropolitana (MAN – Lisboa e Porto) em Portugal, 830 km de rede de fibra ótica,1.700km adicionais de rede de longa distância através da sua IQ Network, ligando mais de 777 edifícios, 13 centros de dados e 8 parques industriais em Lisboa, Porto, Oeiras, Sintra, Vila Nova de Gaia e Maia.

A aceleração da transformação digital e o aumento do trabalho remoto provocados pela pandemia, bem como a emergência dos novos modelos de trabalho híbrido no pós-pandemia e as mudanças decorrentes da guerra na Ucrânia, transformaram os serviços de rede num fator ainda mais crítico para o funcionamento diário das empresas em todo o mundo. Entre as tecnologias que garantem o funcionamento destes serviços destacam-se os cabos submarinos que ligam continentes e países e que já são responsáveis por 99% do trafego global.  O reforço do investimento da Colt em Portugal tem em conta a posição estratégica do país no contexto da expansão da conectividade entre a Europa, a América Latina, a América do Norte, a África e a Ásia, quer através da ampliação das rotas da sua rede terrestre, quer do potencial disponibilizado pelos cabos submarinos que aterram em Sines, Sesimbra, Seixal, Lisboa e Carcavelos.

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Quais são as principais mais-valias de Portugal como ponto de ligação de dados e como isso beneficia as empresas que operam no país?

Os cabos submarinos são a espinha dorsal da infraestrutura global de comunicações. Atualmente existem mais de 400 cabos submarinos em serviço em todo o mundo e até 2025 serão 445. Portugal detém uma posição única no contexto do desenvolvimento das comunicações a nível mundial: beneficia de uma posição geográfica estratégica com os seus 5 centros de amarração (Sines, Sesimbra, Seixal, Lisboa e Carcavelos) de cabos submarinos que ligam a Europa à África e às Américas, e possui inúmeras rotas de comunicações terrestres que permitem e potenciam as ligações da Península Ibérica ao Norte da Europa. Temos, por isso, um papel fulcral a desempenhar na diversificação da conectividade e no que diz respeito a evitar a saturação das redes. Isto significa que somos um gateway privilegiado para empresas e organizações que querem fazer negócios com estes continentes/países.

 

Porque é que Portugal é um país atrativo para a instalação de data centers? Quais são os principais fatores que levam empresas a escolherem o país para hospedar suas infraestruturas críticas?

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Portugal tem um papel fulcral na diversificação da conectividade e em evitar a saturação das redes. A nossa capacidade a nível dos cabos submarinos irá aumentar significativamente nos próximos anos, com a entrada em total funcionamento dos três novos cabos Ellalink, Equiano e África, que aterram no nosso país.

Passaremos a dispor de 5 cabos submarinos a ligarem a Europa à África e às Américas. O que representa um importante reforço do poder do hub de conectividade português. Se tivermos em conta que, a par disto, os investimentos em infraestrutura de banda larga e digitais têm sido muito intensos no nosso país e que na última década, a economia digital do país tem registado um crescimento sem precedentes, é fácil compreender que disfrutamos de uma oportunidade única para fomentarmos o investimento em centros de dados, serviços de cloud e de edge computing – as tecnologias do futuro, em Portugal.

A Colt está atenta a esta evolução e a equacionar a possibilidade de fazer novos investimentos e possui ligações a vários cabos submarinos permitindo que os seus clientes possam fazer sub-ligações aos cabos existentes. Desta forma satisfazemos as necessidades de comunicações internacionais dos nossos clientes nos cabos submarinos que já estão amarrados e contribuímos para criar uma malha de comunicações globais integradas cada vez mais ampla.

 

Qual é a importância do investimento em fibra ótica para o setor de data centers e como isso impacta a conectividade e desempenho das operações?

O investimento em fibra ótica é um fator crítico para o sucesso dos data centers e das comunicações. Sem isso não há data centers. Por isso, é importante que as empresas continuem a investir em redes e tecnologias de última geração de modo a poderem ter infraestruturas altamente escaláveis e seguras, capazes de suportarem os requisitos dos novos data centers de última geração, bem como os níveis de desempenho exigidos pela explosão dos dados impulsionada pela IA, pelo IoT, pela automatização e pelo Big Data.

Portugal poderá ter neste setor uma grande oportunidade, porque desfruta de uma posição geográfica única que o coloca no epicentro dos sistemas de cabos submarinos, tem boas infraestruturas, tem bons talentos, é um país seguro e, além disso, temos condições muito favoráveis para alimentarmos com energia sustentável (eólica e solar) os novos data centers, tornando-os ainda mais eficientes e verdes. Pelo que consideramos que Portugal poderá desfrutar de uma posição muito competitiva neste mercado à escala mundial.

 

A proximidade geográfica de que beneficiamos dos sistemas de cabos submarinos e a instalação de data centers, em locais como por exemplo Sines, faz do nosso país o ponto mais próximo de ligação entre a Europa, a África e a América Latina. Isto também significa que as empresas, ao colocarem as suas infraestruturas nos data centers em Portugal podem oferecer serviços de proximidade aos países situados em África e na América Latina.

 

Como avaliam a qualidade da fibra ótica em Portugal? Quais são os pontos fortes e desafios enfrentados nesse aspecto?

A qualidade da fibra ótica é geralmente boa – muito boa nas zonas urbanas dada toda a malha empresarial que aí se concentra. Mas a fibra por si só, não chega. É preciso que Portugal tenha mais ambição e desenvolva as ligações internacionais, como as que são oferecidas pela rede IQ Network da Colt.

Um dos principais desafios será manter e intensificar o investimento no desenvolvimento e na implementação de redes de fibra ótica redundantes que sejam mais escaláveis e mais seguras.

Por outro lado, é preciso que os operadores possam ter um acesso mais fácil, célere a quaisquer tipo de infraestruturas de condutas que o país dispõe (não apenas das empresas de telecomunicações) que podem ser maximizadas e rapidamente capitalizadas em prol do desenvolvimento sustentável e eficiente de novas redes de comunicações, vitais para a explosão do mundo digital dos nossos dias.

 

Quais são os investimentos recentes da Colt em Portugal e como é que isso contribui para fortalecer a posição do país como hub de dados?

Tendo como objetivo fortalecer a sua presença em Portugal e na Península Ibérica, bem como ampliar o poder do seu hub de conectividade português à escala mundial, a Colt reforçou recentemente a sua rede com mais 600kms adicionais de fibra entre Portugal e Madrid, com a criação de novas ligações entre Madrid, Paris, Toulouse e Marselha (+ 2400km), que potenciaram uma ligação direta entre Lisboa/Porto/Bilbao/ e entre Lisboa/Madrid/Toulouse/Marselha através dos Pirenéus.

A capacidade das ligações com o Norte da Europa e destas com os EUA foi novamente potenciada com a implementação de um novo PoP no Data Center BX1 da Equinix em Bordéus. Uma ligação vital no contexto da instalação do novo cabo transatlântico de fibra ótica de nova geração, o “AMITIE” – uma nova porta de entrada para o tráfego de dados entre os EUA e a Europa.

A Colt escolheu também a ligação Lisboa/Madrid para implementar, pela primeira vez, uma tecnologia única da Ciena, que duplica a capacidade de transmissão dos dados na rede de fibra óptica. O que vem sublinhar a importância que a Colt atribui às suas operações na Península Ibérica, nomeadamente em Portugal. Uma decisão ainda mais relevante se tivermos em conta que a Colt foi o primeiro operador do mundo a implementar a tecnologia 800 G na banda L da rede terrestre, utilizando o controlador de domínio Reconfigurable Line System (RLS) da Ciena, e o Manage, Control and Plan (MCP) da Ciena na sua rede ótica, e o primeiro fornecedor de telecomunicações a oferecer serviços 100G/400G Wave, devidamente comprovados, utilizando tecnologia coerente e líder de mercado nas duas bandas C+.

 

Em que consistem os centros de competências e qual o trabalho desenvolvido por estes no nosso país?

Os 3 centros de competência que a Colt possui em Portugal são: o Premium Network Service, o Language Technical Resolution Center, e o de Software Development dedicado ao desenvolvimento de tecnologias de rede inovadoras on- demand SDN-WAN. Todos funcionam na sede da Colt em Portugal em Carnaxide. No entanto, as equipas de trabalho destes três centros estão espalhadas por todo o país (Portimão, Redondo, Vieira de Leiria, Torres Vedras, Minde, Viseu, Esposende, Porto, Lisboa, Aveiro, Coimbra, etc), visto que na Colt adotámos maioritariamente o modelo de teletrabalho, conforme o desejo das nossas pessoas. Os centros funcionam assim em teletrabalho e as nossas equipas encontram-se no escritório de Carnaxide uma vez por mês.

Os 3 centros têm vindo a crescer desde a sua respetiva criação. Por exemplo, o de Premium Network Services duplicou a sua capacidade. Em todos eles o investimento que fazemos é contínuo. Estes centros não são propriamente locais físicos, são sim centros de talentos onde acolhemos cada vez mais especialistas para podermos responder às necessidades dos nossos clientes tanto nacionais, como internacionais. Os nossos profissionais que trabalham nos 3 centros prestam serviços aos clientes do Grupo Colt de todo o mundo.

 

Como é que a Colt trabalha para garantir a segurança e a proteção dos dados hospedados nos seus data centers em Portugal?

A Colt em Portugal tem um data center seu em Carnaxide, e além disso ligamos outros 13 data centers que pertencem a outras entidades, mas que são utilizados pelos seus clientes. Os nossos clientes podem escolher os data centers que querem usar, inclusive os de outras empresas, e selecionam a Colt para garantir as suas ligações.

A Colt está fortemente empenhada em manter uma posição de liderança também no que diz respeito à segurança e proteção de dados e para o garantir tem por um lado, uma estratégia de forte investimento contínuo em inovação e tecnologias de última geração que endereçam estes aspetos e que não só capacitam a Colt, como os seus clientes para enfrentarem as ameaças crescentes à sua segurança e alavancarem uma força de trabalho híbrido mais segura, protegerem aplicações e dados, bem como otimizarem ainda mais o desempenho da rede; desenvolvendo todo um ecossistema de parceiros que apoia estes esforços conjuntos, e ainda através de uma intensa política de certificações tanto na área da segurança, como da proteção dos dados. No final de 2021 fomos a primeira empresa do setor das telecomunicações em todo o mundo a obter a certificação máxima das regras de proteção, segurança e privacidade dos dados por parte do oficial do Comité Europeu para Proteção de Dados (CEPD). A Colt passou a ser uma do reduzido leque de menos de 10 empresas em todo o mundo a obter a aprovação das suas Binding Corporative Rules e o único fornecedor de telecomunicações do mundo a obter a aprovação por parte do Regulador, no que diz respeito à compatibilidade das suas BCRs de controlo e processos com o RGPD empresa.

A aprovação das Regras Corporativas Vinculativas foi um reconhecimento de que a Colt aplica os mais elevados padrões de proteção de dados que é possível ao transferir dados pessoais e de que é uma empresa realmente focada na segurança e na proteção dos seus dados. As BCR aprovadas – políticas de proteção de dados utilizadas pelas empresas dentro da UE para transferir dados pessoais para fora da UE dentro das suas subsidiárias e outras empresas do seu grupo. Estas regras seguem todos os princípios gerais de proteção de dados e são juridicamente vinculativas para todas as empresas e subsidiárias da Colt.

 

Quais são as perspetivas futuras para Portugal como hub de dados mundial e como é que a Colt pretende aproveitar essas oportunidades?

As perspetivas são as melhores. Por um lado, queremos continuar a contribuir de forma sustentada para os objetivos de crescimento do Grupo, servindo empresas nacionais e internacionais, maximizando a posição de Portugal enquanto hub estratégico de comunicações à escala global e ponto nevrálgico de ligação entre os vários continentes.

Por outro lado, continuarmos a crescer no número de pessoas que prestam serviços para o Grupo a partir do nosso país, mantendo a relevância do talento português no contexto do Grupo e da sua capacidade para o ajudar a alcançar os seus objetivos estratégicos de inovação e expansão.

Iremos também continuar a investir para reforçar a conectividade de e para Portugal, aproveitando a nossa estratégia de inovação contínua e a adoção e implementação das tecnologias mais recentes e que nos dão claras vantagens competitivas, tanto em relação ao aumento da largura de banda, como à escalabilidade e à segurança.

O último investimento de 5 milhões de euros que fizemos já teve em conta o crescimento do setor dos data centers em Portugal. A Colt acompanha este crescimento com novas ofertas inovadoras de on-demand services, SD WAN, acessos à cloud e à multicloud, ligações aos sistemas de cabos submarinos, e mais e melhor conectividade. O nosso objetivo é fortalecermos a posição que detemos num mercado que se espera venha a crescer 6.02% (CAGR) no nosso país entre 2022 e 2027, segundo um estudo recente da Arizton.

A dimensão do mercado de centros de dados em Portugal foi recentemente avaliada em 931,2 milhões de dólares e deverá atingir os 1,3 mil milhões de dólares até 2027. Neste sentido, iremos continuar a fazer investimentos e estamos a considerar criar a terceira rota para aumentar a capacidade, a segurança e a resiliência tanto da rede como das ligações.

O nosso objetivo é suportarmos as empresas e a conectividade através dos sistemas de cabos submarinos e também as empresas que decidiram alojar em Portugal centros de dados que são decisivos para os seus negócios.

 

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