Quantidade de magma na ilha de S. Jorge é comparável à do vulcão de La Palma antes de entrar em erupção, alertam cientistas

O volume estimado para uma possível intrusão de magma na ilha de São Jorge nos Açores é de cerca de 20 milhões de metros cúbicos, comparável ao observado pela deformação do solo antes da erupção do Cumbre Vieja em 2021.

Simone Silva

O volume estimado para uma possível intrusão de magma na ilha de São Jorge nos Açores é de cerca de 20 milhões de metros cúbicos, comparável ao observado pela deformação do solo antes da erupção do Cumbre Vieja em La Palma em 2021.

Esta é a conclusão do Instituto Vulcanológico das Ilhas Canárias (Involcan), num relatório divulgado na terça-feira e a que a agência ‘Efe’ teve acesso.

Segundo o documento, desde o passado dia 19 de março, a ilha de São Jorge, no arquipélago dos Açores, tem sido afetada por um enxame sísmico, com mais de 400 sismos de magnitudes até 3,8 (o último e mais forte, sentido na noite passada).

Na fase inicial deste enxame sísmico, havia dúvidas se os sismos teriam origem vulcânica ou tectónica, uma vez que o arquipélago dos Açores é uma região vulcânica e tectonicamente ativa, de acordo com o instituto científico espanhol.

Contudo, através da análise de dados de radar de abertura sintética adquiridos pelo satélite Sentinel-1 da Agência Espacial Europeia, o Involcan constatou que durante as últimas semanas, “a ilha sofreu uma deformação de terreno compatível com uma fonte de natureza vulcânica”.

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De acordo com os especialistas, a deformação deveu-se a uma intrusão de magma (massas de rocha em fusão que existem debaixo da superfície), “com um volume de 20 milhões de metros cúbicos”.

Para chegar a esta conclusão, foi utilizada uma técnica conhecida como “interferometria de satélite”, que compara as imagens de radar obtidas em duas datas diferentes para detetar variações de fase que podem estar associadas a deformações no relevo da superfície terrestre.

Esta atividade, adianta a agência espanhola, foi possível graças ao projeto ‘Volriskmac II’, cofinanciado pelo Programa de Cooperação ‘Interreg Va Espanha-Portugal’. 

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