O medicamento ‘trastuzumab deruxtecan’ provou ser capaz de melhorar a sobrevivência livre da progressão do cancro da mama HER2-positivo em 75,8% dos pacientes, naquele que é o resultado “mais positivo da história” em relação a este tipo específico de cancro, segundo garantiu o diretor do International Breast Cancer Center (IBCC) e primeiro autor do ensaio clínico internacional Destiny Breast-03, Javier Cortés, num artigo publicado na revista científica ‘The New England Journal of Medicine’.
De facto, os resultados apresentados por este medicamento têm sido “tão positivos” que o ‘trastuzumab deruxtecan’ tornou-se, segundo o IBCC, o novo padrão de tratamento de segunda linha para pacientes com cancro da mama HER2-positivo, segundo revelou o jornal espanhol ‘El Mundo’.
O medicamento cumpriu um ensaio clínico internacional de fase III, randomizado, multicêntrico e realizado com a participação de 524 pacientes com cancro da mama metastático HER2-positivo, recrutadas entre 20 de julho de 2018 e 23 de junho de 2020 em 169 centros de 15 países.
Do total, 261 pacientes foram aleatoriamente designados para braço do estudo em que receberam ‘trastuzumab deruxtecan’ e 263, para o braço do tratamento, até então o padrão, consistindo em ‘trastuzumab emtansina’ (TDM-1) – um dos resultados “mais importantes” do estudo foi a melhoria do controlo da doença em 75,8% nesses pacientes em 12 meses, contra apenas 34,1% no grupo de pacientes tratados com ‘trastuzumab emtansina’.
Os resultados preliminares do Destiny Breast-03 foram apresentados na sessão presidencial do Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), em setembro último, e a sua publicação recente confirmou a sua ‘robustez’.
O ‘trastuzumab deruxtecan’ é um imunoconjugado que atua como um “cavalo de Tróia” porque é capaz de burlar as defesas das células tumorais para entrar e atacá-las com a sua carga – é composto por um anticorpo monoclonal (trastuzumab), unido por um ligante ou ligando-se a moléculas de quimioterapia (deruxtecano).
É administrado por via intravenosa e viaja pelo sangue até as células tumorais, onde reconhece a porta de entrada dessas células malignas, neste caso o receptor HER2, entra sem ser detetado e liberta a quimioterapia que carrega para as destruir, sem prejudicar “tanto” as demais células saudáveis.




