O anúncio do novo Governo de António Costa, conhecido na noite da passada quarta-feira, mereceu críticas dos partidos, com acusações de certos nomes que já estariam “esgotados” e a menorização do sector do Mar como alguns dos problemas apontados pelos partidos à equipa de ministros escolhida pelo primeiro-ministro.
Iniciativa Liberal
Rui Rocha, deputado do IL, apontou as suas críticas à forma como os nomes foram conhecidos (divulgados pela comunicação social antes do encontro de Costa com Marcelo), o que revela “a propensão para não respeitar o processo institucional com o Presidente da República”. Mas não só. “Há um conjunto de ministros já fragilizados politicamente”, afirmou o novo deputado, apontando Marta Temido, Pedro Nuno Santos, Gomes Cravinho e Fernando Medida como os melhores exemplos.
O deputado apontou a uma “degradação do capital político” do Governo e criticou o facto de António Costa ter levado “todos os pretendentes à sucessão” como uma “montra”. “Quando se pedia uma equipa de transformação e reformas estruturais, aposta-se na continuidade.”
PSD
Nuno Carvalho vincou que o PSD espera que na Saúde a ministra Marta Temido tenha uma “postura diferente” e que dialogue com os médicos, congratulando-se com as mudanças da Educação e do Ambiente. O Governo tem de entrar “em funções e aproveite as pastas em que houve renovação para abordar os principais problemas do país. É necessária uma estratégia do Governo para definir uma economia mais competitiva e isso não tem acontecido”, revelando esperar “um diálogo que produza efeitos”.
Chega
André Ventura salientou “dois sinais preocupantes”: “A confusão entre Estado e a máquina do PS” e António Costa chamar a si a pasta dos Assuntos Europeus, deixando a ideia de que “pode querer sair para a Europa e deixar o seu lugar de sucessor programado”. Fernando Medina foi alvo de duras críticas do líder do Chega. “Não é propriamente um guru das Finanças e parece uma brincadeira de mau gosto” pois não se lhe “conhece qualquer capacidade” técnica para gerir a pasta. Também Augusto Santos Silva, numa altura em que devia haver “continuidade” no Ministério dos Negócios Estrangeiros, “abandonou para ir para o conforto do Parlamento.
Além disso, considerou que “a manutenção e promoção de João Galamba [actual secretário de Estado da Energia] é uma vergonha” por haver um inquérito judicial a decorrer por “suspeitas graves” e até divulgação de escutas. “É mesmo a pedir um escândalo de corrupção a rebentar a qualquer momento. Eu afastaria, por prudência, João Galamba. Mantê-lo é excessiva confiança e impunidade ou irresponsabilidade”, vincou.
PCP
Para o PCP, a política do Governo é o problema. A deputada Paula Santos, a nova líder parlamentar comunista, afirmou que o foco deve estar nos “problemas fundamentais”: “Quais são as respostas do Governo para questões como salários, pensões, saúde e educação, subida dos preços, desenvolvimento do país, redução das importações, necessidade de investir na produção nacional, agricultura e pescas”, explicou.
Sobre os ministros, “alguns já tiveram responsabilidades políticas e não contribuíram para a resolução dos problemas, o que não é um bom indicador”.
Bloco de Esquerda
“Para sabermos a realidade de um melão temos de o abrir. Um Governo conhece-se pela prática que vai adotar para responder às dificuldades do país”, apontou Pedro Filipe Soares. Os novos problemas decorrentes da guerra – ondas de refugiados, aumento da inflação e do custo da energia – vêm juntar-se aos estruturais como na saúde, dignidade e estabilidade no emprego, valorização dos salários e pensões, referiu o dirigente bloquista.
PAN
Inês de Sousa Real, líder do PAN, criticou Fernando Medina: “falta de capacidade de diálogo” mostrada na Câmara de Lisboa, que é “fundamental” num ministro das Finanças e ser um político e não alguém “com capacidade técnica” como os antecessores, o que pode colocar “em causa o equilíbrio das contas públicas”.
O facto de o Mar deixar de ser ministério e ficar reduzido a secretaria de Estado integrada na Economia poderá retirar ao sector muita da importância em termos económicos e também ambientais, avisam o PAN.
Livre
Rui Tavares, deputado único do Livre, aplaudiu a passagem da política europeia (secretaria de Estado dos Assuntos Europeus) para a alçada direta do primeiro-ministro, alegando tratar-se da evolução da perceção de que “os assuntos europeus são política nacional e doméstica”.













