Ucrânia: “Vladimir Putin pode ser o Hitler do século XXI”, acusa vice-ministro polaco

Marcin Ociepa, vice-ministro da Defesa Nacional da Polónia, garantiu que não acredita no uso de armas nucleares

Francisco Laranjeira

“Posso dizer diretamente que Vladimir Putin pode ser o Hitler do século XXI.” Foi desta forma que o vice-ministro da Defesa Nacional da Polónia, esta quinta-feira, em entrevista ao ‘Hankyoreh’, se referiu ao presidente russo. Segundo Marcin Ociepa, “a experiência histórica da Polónia é o confronto de dois impérios: a Alemanha nazi e a União Soviética”.

O governante não escondeu o pessimismo polaco pelo confronto russo na Ucrânia, até pela fronteira com a Ucrânia e a Bielorrússia, assim como igualmente no limite da NATO – assim, na Polónia teme-se que, se se falhar em proteger a Ucrânia, possam ser o próximo alvo russo.

“Estamos a falar de Putin, que é um ditador, e vemos quanto tempo o Ocidente estava a tentar lidar com Hitler antes de ele invadir a Checoslováquia em 1938 para salvar a paz e, no ano seguinte, invadiu a Polónia. Porque quando falamos de um ditador, há que entender que nada há para saciar a fome de um ditador”, explicou Marcin Ociepa. “Onde está a linha vermelha? Se não for na Geórgia, se não for na Ucrânia? Então, onde? Por que não a Polónia, e por que não nos Estados Bálticos? Aceitamos a situação quando alguém usa a força para mudar as fronteiras?”, reforçou.

“Se aceitarmos, depois de tantas guerras mundiais, de tantas vítimas e tragédias, que a guerra ainda é uma ferramenta dos Estados para perseguir objetivos políticos, isso significará que não aprendemos as lições do passado. E não é sobre a Ucrânia. É sobre a nossa aceitação do uso da força para mudar as fronteiras. Se aceitarmos que a Rússia pode invadir a Ucrânia para mudar as fronteiras, para anexá-las, devemos esperar que outros o sigam – a Rússia atacará o Japão ou a Rússia atacará a Estónia ou a Polónia. Então, é sobre a ordem mundial”, refletiu.

A ameaça nuclear está no ar mas, para Marcin Ociepa, não é real. “Não acredito nesse cenário. Porque sabemos que depois da II Guerra Mundial, vivemos por muitas décadas à sombra de ameaças nucleares. Nem a União Soviética nem os Estados Unidos queriam usá-los porque todos sabem que todos vão perder. Esta é uma arma que fez a guerra sem vencedores. Então, acredito que a Rússia não usará [armas nucleares]. Porque se o fizerem, isso significa que a NATO usará nossas próprias armas nucleares”, finalizou.

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