Do CO2 ao radão: Dez poluentes que (provavelmente) tem em casa e desconhece

Existem muitos poluentes no nosso ambiente doméstico que nos impedem de respirar um ar saudável.

Francisco Laranjeira

Já diziam os ‘antigos’ que, após uma noite de sono, é preciso ventilar todas as assoalhadas da casa – abrir as janelas do quarto, da sala e até da cozinha. No entanto, pode não ser suficiente porque existem muitos poluentes no nosso ambiente doméstico que nos impedem de respirar um ar saudável. De acordo com a sua natureza, podemos estar a falar de contaminantes biológicos (mofos, bactérias, por exemplo…), químicos (fumo, compostos orgânicos voláteis, semi-voláteis…) e físicos (temperatura, humidade, radiação artificial).

Os produtos de uso habitual são os que mais contribuem para a redução da qualidade no ambiente interior, segundo explicou Elisabet Silvestre, autora espanhola e doutora em Biologia. “As nossas casas podem ser entre 2 e 5 vezes mais poluídas do que o ar externo. E levamos essa contaminação para casa com a escolha de cada produto que compramos; com os hábitos que realizamos, como a manutenção da casa; se é ventilada de forma eficiente ou não; se fuma em casa; a combustão de fogões e lareiras; se os ambientadores são muito usados”, apontou.

Além disso, devemos ter em consideração que, quando falamos no meio ambiente, devemos pensar na temperatura, humidade relativa ou radiação, fatores ambientais que afetam o bem-estar e o conforto. Estes são os dez poluentes mais presentes no seu ambiente doméstico:

1. Fumo de tabaco – Fumar em casa contribui para a exposição a substâncias tóxicas de toda a família, não só para quem fuma mas também para os fumadores passivos, uma situação especialmente relevante se houver gestantes ou crianças em casa.

2. Compostos orgânicos voláteis – Além do fumo do tabaco, estão em detergentes, desinfetantes, ambientadores, produtos de higiene pessoal, fragrâncias, tintas, vernizes, colas, tapetes, móveis. “Podem ser irritantes para os olhos e garganta, afetam o sistema respiratório, imunológico e neurológico”, explicou a especialista.

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3.CO2 – O dióxido de carbono é um bom indicador da qualidade do ar interior. Quanto mais pessoas houver no interior, maior será a concentração e mais ventilação será necessária. O especialista explica que quando não há ventilação suficiente, o ambiente fica carregado e é aí que se percebe mais cansaço, menos concentração e níveis mais altos de CO2.

4. Gases e fumos – São também fonte de compostos voláteis, neste caso derivados da combustão de biomassa ou combustíveis fósseis, como fogões, lareiras. Destaca-se o monóxido de carbono, que pode causar tontura, náuseas, sonolência e até a morte.

5. Pó – Podem ser encontrados ácaros ou pêlos mas também substâncias químicas semivoláteis, como plastificantes.

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6. Microrganismos – “Mofos, fungos, bactérias ou vírus fazem parte da contaminação biológica da casa”, diz Elisabet Silvestre, e isso principalmente em áreas húmidas como as cozinhas, casas de banho ou quando há humidade não resolvida.

7. Temperatura e humidade relativa – Embora não sejam um poluente em si, se não forem mantidos os valores adequados estão associados a problemas de saúde como problemas respiratórios, asma ou alergias.

8. Eletroclima – A exposição permanente à radiação artificial, como fiação elétrica, lâmpadas, transformadores, tecnologia… pode ser um fator de stress para o corpo. Elisabet Silvestre indicou que deve apostar em instalações biocompatíveis. A tecnologia também deve ser deixada de lado perto da hora de dormir para um sono mais tranquilo.

9. Radão – Para quem não sabe, é um gás natural radioativo do solo e através das rachas e fissuras acaba dentro de casas e prédios. Depois do fumo de tabaco, é a segunda principal causa de cancro do pulmão.

10. Amianto – Ainda há muitas casas e prédios com a presença desse material tóxico em telhados, tubulações, tanques. Elisabet Silvestre aconselhou que detetá-lo e consultar especialistas para a sua remoção, evitando a exposição ao meio ambiente, é a chave.

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