A Covid-19 nunca será erradicada mas o mundo tem a oportunidade de encerrar a emergência de saúde pública em 2022, afirmou esta terça-feira Michael Ryan, diretor executivo do Programa de Emergências em Saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS). “Não vamos acabar com o vírus este ano, nunca vamos acabar com o vírus – o que podemos acabar é a emergência de saúde pública”, explicou o alto responsável da OMS, num evento virtual da Agenda de Davos do Fórum Económico Mundial. “É a morte, são os internamentos, são as interrupções que causam a tragédia, não o vírus. O vírus é um veículo”, referiu.
“Sim, temos a oportunidade de acabar com a emergência de saúde pública este ano”, referiu, observando que isso só pode ser atingido abordando desigualdades de longa data em várias áreas da sociedade, como acesso justo a vacinas e assistência médica. “Não vai acabar se não resolvermos [essas questões], essa tragédia vai continuar”, acrescentou.
Michael Ryan alertou ainda que a Covid-19 continuará a representar uma ameaça para a sociedade, mesmo quando passe de um vírus pandémico para um endémico. “A malária é endémica, o HIV é endémico e matam centenas de milhares de pessoas todos os anos – endémico não significa ‘bom’, significa apenas ‘aqui para sempre’”, reforçou. “O que precisamos fazer é chegar a níveis baixos de incidência da doença com vacinação máxima de nossas populações onde ninguém tem que morrer. Esse é o fim da emergência, na minha opinião, é o fim da pandemia.”
Em dezembro último, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que os programas gerais de reforço arriscavam prolongar a pandemia e aumentar a desigualdade, garantindo, em conferência de imprensa, que “nenhum país pode sair da pandemia”.
“Os programas de reforço geral provavelmente vão prolongar a pandemia, em vez de acabar com ela, desviando a oferta para países que já têm altos níveis de cobertura vacinal, dando ao vírus mais oportunidades de se espalhar e sofrer mutações”, disse. “E os reforços não podem ser vistos como um bilhete para seguir em frente com as comemorações planeadas, sem a necessidade de outros cuidados.”
No entanto, Michael Ryan observou que acabar com a desigualdade nas vacinas não significa impedir que as pessoas em países de altos rendimentos recebam mais doses. “Precisamos concentrar-nos naqueles com maior probabilidade de [lidar] com o pior de serem infetados ou reinfetados”, disse. “Há aqueles em países de alto rendimento que vão precisar de uma terceira dose. Podemos acabar num futuro em que o curso principal para uma pessoa vulnerável será de três ou quatro doses para obter imunidade duradoura e robusta.”
“Uma pessoa vulnerável que vive num país industrializado também tem uma questão de equidade, porque a sua hipótese de morrer é alta”, finalizou.













