Nas últimas semanas, várias agências meteorológicas espaciais têm alertado sobre intensas erupções, ou mesmo gigantescas erupções solares. No último domingo foi relatado um “canhão de fogo” que chegou aos 20 mil quilómetros de altura (embora tenha sido 10 vezes maior) e que libertou poderosas correntes de vento solar magnetizado que podem atingir a Terra e criar auroras boreais em latitudes incomuns.
Estes fenómenos significam que a nossa estrela está a mudar? “Na verdade, tudo isso é normal”, explicou ao jornal espanhol ‘ABC’ Javier Rodríguez-Pacheco, professor de astronomia e astrofísica da Universidade de Alcalá, em Espanha, e investigador principal do EPD (Energetic Particle Detector), a bordo da missão ‘Solar Orbiter’, que está a aproximar-se do Sol para examinar de perto a nossa estrela e desvendar alguns dos seus mistérios, incluindo os ciclos solares. “Estamos a subir na atividade do ciclo solar e, à medida que aumenta, são esperadas mais erupções”, acrescentou.
As estrelas são enormes bolas de fluido extremamente quente e eletricamente carregado – essa carga elétrica move-se, gerando poderosos campos magnéticos. A cada 11 anos regressam ao seu lugar. Cada um destes ciclos tem um máximo e um mínimo solar no qual a atividade da estrela aumenta ou diminui. Os cientistas podem dizer em que fase está o Sol por causa do número de manchas que podem ser vistas na sua superfície.
“No máximo solar, previsto para 2025, vai ocorrer o pico do número de manchas solares, que geralmente é acompanhado por uma maior atividade de tempestades solares”, apontou Rodríguez-Pacheco. Quanto maior o número de manchas, maior a probabilidade de erupções de massa coronal, que causam tempestades solares e têm consequências no ambiente do sistema solar. “No entanto, os eventos mais intensos, de partículas e tempestades, geralmente não ocorrem no máximo mas depois do máximo. É como se a energia magnética ali armazenada demorasse um pouco mais para ser libertada.”
A atividade do Sol só foi monitorizada cientificamente desde 1755 – desde então, a humanidade só conseguiu acompanhar 24 ciclos completos. O 25º começou oficialmente em dezembro de 2019, segundo anunciou a NASA e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). A que ficou para trás deixou um período de ‘quietude’: o número máximo de manchas solares foi de 116, contra uma média de 179.
Tempestade geomagnética chega esta 5ª feira à Terra
O Sol voltou a explodir, com uma tempestade geomagnética, a 11 de abril último – a mancha solar morta AR2987 explodiu, levando a ejeções de massa coronal (CME). O evento foi registado pelo Solar Dynamics Observatory, da NASA.
Esta tempestade geomagnética está a empurrar o plasma e energia de alta intensidade para os planetas internos – os especialistas sugerem que essas tempestades geomagnéticas da classe G2 podem chegar à Terra esta quinta-feira com uma velocidade de cerca de 20.69.834 quilómetros por hora.













