Um alto funcionário da segurança aérea francesa disse esta sexta-feira que a Rússia é a responsável pelos recentes incidentes de interferência de GPS, que afetaram aeronaves na Finlândia, no Mar Báltico e perto do enclave russo de Kaliningrado.
Em entrevista à Bloomberg, o chefe de navegação por satélite da Direction Générale de l’Aviation Civile (DGAC) ressalvou, contudo, que os bloqueios de GPS relatados pelos pilotos foram “danos colaterais” da atividade militar russa.
“Não acho que o objetivo tenha sido congestionar a aviação civil neste estágio”, disse Benoît Roturier. Em vez disso, “a interferência foi provavelmente um efeito colateral do equipamento militar usado para proteger as tropas de mísseis guiados por GPS”, sublinhou.
O responsável explicou que em “França, um forte evento de interferência militar poderia cortar um quarto dos céus franceses” e “isso é o que preocupa a aviação civil. Grandes áreas podem ser afetadas fora das zonas de conflito”, referiu.
A companhia aérea nacional finlandesa Finnair relatou pela primeira vez problemas de GPS em voos que passavam perto do enclave báltico de Kaliningrado em 9 de março, cerca de duas semanas depois de a Rússia ter invadido a Ucrânia.
Esta situação levou ao cancelamento de voos no leste da Finlândia, depois de pequenas aeronaves operadas por uma companhia aérea regional não terem conseguido fazer a rota entre a capital, Helsínquia, e a cidade de Savonlinna, durante quase uma semana.
Em março, o Ministério dos Negócios Estrageiros da Finlândia disse que a suspeita de interferência no GPS “teve efeitos concretos em voos civis”, mas que nenhuma aeronave esteve em perigo.
“Mais ações serão tomadas, se necessário. A Finlândia leva sempre muito a sério qualquer ação que possa colocar os operadores civis e a segurança da aviação em risco na Finlândia”, concluiu na altura o ministério.




