A expectativa média de vida do mundo é de 73,4 anos, segundo projeções das Nações Unidas (ONU): no entanto, a cada dia que passa as pessoas vivem mais e a longevidade média deve ultrapassar os 77 anos até meados deste século. Conforme aumenta a expectativa de vida, diminui a taxa de mortalidade, o que torna a população mundial cada vez mais envelhecida. Em comparação, o mundo já tem mais pessoas com mais de 65 anos do que crianças abaixo dos 5.
A situação varia bastante de país para país – no Mónaco, a expectativa de vida é de 87 anos, já na República do Chade, na África Central, é de apenas 53 anos. Depois do principado, surgem as regiões de Hong Kong e Macau, sendo que o quarto posto é ocupado pelo Japão. Depois seguem-se Liechtenstein, Suíça, Singapura, Itália, Coreia do Sul e Espanha, de acordo com o relatório ‘Perspetivas da População Mundial’ da ONU.
Nos últimos 200 anos, a expectativa de vida aumentou de forma constante a nível global, coincidente com o desenvolvimento de vacinas e antibióticos, remédios, saneamento, alimentação e melhores condições de vida.
Embora a genética seja um dos fatores mais determinantes, uma maior longevidade costuma também estar associada às condições de vida do local onde a pessoa nasceu e às suas decisões como indivíduo. Não se trata apenas de ter acesso a um sistema de saúde e a uma alimentação melhor, mas também do que os especialistas chamam de “decisões inteligentes” em termos de ter uma dieta equilibrada, dormir o suficiente, controlar os níveis de stress e praticar exercícios.
Os países que fazem parte do ranking com maior expectativa de vida têm algo em comum: alto nível de rendimento. Mas há algo mais que os une: o pequeno tamanho. “Parecem países excecionais mas na verdade são uma espécie de população artificial. Não é uma combinação aleatória de pessoas como em outras partes do mundo”, considerou Patrick Gerland, chefe do departamento de estimativas e projeções populacionais das Nações Unidas, à ‘BBC News Mundo’. “O que partilham é um alto padrão de vida e acesso a bons serviços de saúde e educação.”
As diferenças podem ser observadas entre os países mas também dentro de um mesmo país – onde há mais desigualdade, aumenta a diferença de expectativa de vida entre os grupos sociais. “Muitos dos países escandinavos, por exemplo, são sociedades mais igualitárias e com uma maior expectativa de vida”, acrescentou o especialista.
Os especialistas começaram a assinalar “zonas azuis” no mapa mundial, ou seja, lugares do mundo em que as pessoas chegavam aos 100 anos. Por exemplo, na região de Barbagia, na ilha italiana da Sardenha – há mais quatro zonas: a ilha de Okinawa, no Japão; a península de Nicoya, na Costa Rica; a ilha de Icaria, na Grécia; e a comunidade adventista de Loma Linda, na Califórnia.
Há alguns padrões em comum nas comunidades estudadas que teoricamente poderiam explicar por que essas populações apresentam uma longevidade maior e qualidade de vida melhor do que o resto do mundo. Entre eles, estão:
– possuem um propósito na vida: um ‘ikigai’, palavra japonesa usada para se referir às “razões de ser” ou mais precisamente, às razões pelas quais nos levantamos da cama todas as manhãs;
– Cultivam os laços familiares;
– Reduzem o stress, interrompendo o ritmo normal da rotina para dar lugar a outras atividades que fazem parte dos hábitos sociais comuns. Por exemplo, tirar a sesta nas sociedades mediterrâneas, orar no caso dos adventistas ou participar da cerimónia do chá para mulheres em Okinawa;
– Comem sem atingir a saciedade;
– Adotam uma dieta balanceada que inclui muitos legumes, verduras e frutas;
– Consomem álcool moderadamente;
– Praticam exercício físico regularmente como parte das atividades diárias — caminhadas, por exemplo;
– Possuem um forte senso de comunidade e participam de círculos sociais que promovem comportamentos saudáveis;
– Fazem parte de grupos que cultivam a fé ou a religião;
Tudo isso dentro de um contexto que inclui, entre outras coisas, um clima amistoso, natureza prolífica, comida saudável e saborosa acessíveis, vida em comunidade e longe dos grandes centros urbanos.
Além das restrições económicas e do seu mapa genético, alguns dos pontos-chaves a que se dá menos atenção, segundo os especialistas, é a maneira de se relacionar com outras pessoas e encontrar um propósito na vida. Este é um dos grandes desafios para quem está interessado em ter uma qualidade de vida melhor por mais tempo.













