Portugal com reservas de gás a 100% e acima da média europeia, revela ERSE

Para responder à crise energética, a Comissão Europeia propôs um reforço solidário dos níveis de enchimento das infraestruturas de armazenamento subterrâneo. O plano REPowerEU fixou em 80% o nível mínimo das reservas de gás em instalações subterrâneas até 1 de novembro deste ano, com um aumento para 90% nos anos seguintes

Pedro Gonçalves

Com a guerra na Ucrânia, a inflação, a subida dos preços do gás e a crise energética gerada, decorreu nos últimos meses uma verdadeira corrida ao gás natural, com vários países europeus a tentarem garantir as reservas plenas para enfrentar o inverno. Portugal, segundo revela a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), tem as reservas de armazenamento subterrâneo já a 100% da sua capacidade.

Para responder à crise energética, a Comissão Europeia propôs um reforço solidário dos níveis de enchimento das infraestruturas de armazenamento subterrâneo. O plano REPowerEU fixou em 80% o nível mínimo das reservas de gás em instalações subterrâneas até 1 de novembro deste ano, com um aumento para 90% nos anos seguintes.

Segundo revela a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), no mais recente boletim de utilização de infraestruturas de gás, que analisa dados de setembro, enquanto a nível europeu o gás armazenado debaixo da terra atingiu 93% da meta, em Portugal, no final de setembro, as reservas de gás ultrapassavam os 100%: “Em Portugal, o stock de gás, em 30 de setembro de 2022, foi cerca de 108% da capacidade comercial firme disponível em base anual”, descreve a ERSE.

No entanto, sublinha a ERSE Em Portugal, em termos brutos o” stock de gás alcançado por Portugal, que corresponde à capacidade máxima de armazenamento das seis cavernas existentes no Carriço, é inferior à capacidade média de armazenamento subterrâneo na maioria dos países da União Europeia (UE)”, recordando que o Governo anunciou em setembro a construção de mais duas cavernas de gás.

No mesmo relatório, o organismo destaca ainda que o consumo de dás em Portugal caiu 1,2% até final de setembro de 2022, comparado ao mesmo período do ano anterior, para 47,3 TWh.

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A ERSE refere ainda que “a utilização do Ponto Virtual de Interligação (VIP) Ibérico no 3º trimestre de 2022 aumentou no sentido importador, i.e., de Espanha para Portugal, com especial enfoque nos meses de agosto e setembro”.

A entidade refere que o aprovisionamento de gás em território nacional foi assegurado maioritariamente no Terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) em Sines que, até final de setembro de 2022, representava 97% do total de gás importado. Nestas importações feitas por Sines, a maior parte foram fornecimentos feitos pela Nigéria (52% do total importado até ao final do 3º trimestre de 2022) e pelos EUA (30%). Informa a ERSE que as “importações russas representaram 7% do total, resultado de três navios recebidos no terminal de GNL em março, abril e agosto de 2022”.

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