Numa altura em que os preços do petróleo voltaram aos níveis elevados do início da guerra na Ucrânia, as perspetivas de que estes venham a reduzir são muito escassas.
O preço do barril do Brent, a referência para o setor, segue perto dos 123 dólares, sendo que já alcançou os 124 dólares, o nível mais elevado desde o início de março, no momento em que a União Europeia anunciou o sexto pacote de sanções onde referiu uma redução de 90% das importações de petróleo russo até ao final do ano.
Em declarações à ‘CNN Business’ Matt Smith, analista-chefe de petróleo para a região das Américas da Kpler, uma empresa de análise, explicou que “os preços do petróleo de três dígitos” provavelmente vão permanecer e enumerou três razões para tal:
– A Europa vai abandonar o petróleo russo: com o novo pacote de sanções, a maioria dos países da UE tem seis meses para eliminar gradualmente as importações de petróleo russo e “o impacto direto disso é o maior custo de envio devido às viagens de longa distância e, por sua vez, e dos custos de entrega do petróleo”, disse.
– As alternativas são insuficientes: tendo em conta que no ano passado, segundo dados da Agência Internacional de Energia, a Rússia correspondeu a 14% da oferta global de petróleo, as sanções estão a criar uma lacuna significativa no mercado. Apesar de a organização prever um equilíbrio do impacto das sanções, através do aumento da produção global de petróleo excluindo a Rússia, Smith acredita que será difícil de conseguir.
– A procura global é robusta: apesar de ter estado parada durante meses devido aos confinamentos, a procura contida por combustíveis da China pode aumentar à medida que o Governo for aliviando as restrições. Os Estados Unidos também têm mostrado uma procura resiliente pelo petróleo, o que mantem os preços elevados.




