A tecnológica Zypho, que recupera a energia térmica desperdiçada no duche, espera faturar 1,1 milhões de euros e expandir-se para a Alemanha este ano, disse à Lusa o fundador e administrador José Meliço.
A Zypho “começou como um projeto universitário com o objetivo de desenvolver um sistema simples e seguro de economizar dinheiro e reduzir o consumo de energia, recuperando a energia térmica desperdiçada a cada duche”, conta o responsável.
O projeto universitário “ganhou alguns concursos de inovação e a EDP investiu no projeto”, relata, referindo que depois de uma nova ronda de investimento em 2018, numa campanha de ‘crowdfunding’ (financiamento colaborativo), “que se tornou a maior alguma vez realizada em Portugal na plataforma Seedrs”, a elétrica reforçou a sua posição na tecnológica para 40%, sendo hoje a sua maior acionista.
Em 2021, a faturação da Zypho foi de 740 mil euros, “com um crescimento de 2,5 vezes” face ao ano anterior, refere José Meliço.
As expectativas para este ano são de 1,1 milhões de euros de faturação.
“Presente em mais de 15 países em quatro continentes, a Zypho conta já com parcerias com distribuidores que abrangem o mercado britânico, escandinavo, centro e norte da Europa, assim como o Brasil, África do Sul e Austrália”, adianta.
Este ano, a tecnológica pretende expandir para a Alemanha, sendo que o peso do mercado externo no volume de negócios é de “98%”.
Além da EDP Ventures, a Zypho conta com a Change Partners e a Seedrs UK como acionistas.
Quanto a investimentos para este ano, José Meliço aponta “cerca de 400 mil euros para a internacionalização da empresa e cerca de 300 mil para R&D [investigação e desenvolvimento]”.
Com o processo de internacionalização, a Zypho apostou também no desenvolvimento de novos produtos com “o objetivo de maximizar oportunidades e fortalecer parcerias nos mercados com maior potencial: Reino Unido, Europa Central e Benelux”.
Além disso, a Zypho “beneficiou ainda de concursos PT2020 nas áreas de competitividade e internacionalização e, mais recentemente, de inovação, ainda em curso”, acrescenta o fundador.
“A tecnologia Zypho já melhora a certificação energética em Portugal, França, Holanda e Reino Unido, no entanto, os próximos anos antecipam um aumento exponencial de oportunidades às quais” a empresa “pretende responder com distinção, tendo em conta que a recuperação de calor das águas residuais é agora ‘top 10’ da UE com maior impacto para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030”, salienta.
“O potencial de economia de energia no parque imobiliário da UE é significativo e é também um importante potencial de mercado para a Zypho e outras PME na Europa”, aponta.
E como é conseguida a eficiência energética através da Zypho? Esta “transfere o calor da água desperdiçada do duche (38º) para a entrada de água fria (15º). Essa água pré-aquecida (até 31º) é então direcionada à torneira misturadora do chuveiro, ao esquentador de água ou, de preferência a ambos – reduzindo o consumo de energia entre 30% a 70% – melhorando assim a eficiência energética”.
Ou seja, “a cada três banhos, dois são gratuitos”.
Esta tecnologia é direcionada não só para a habitação, como também para hotéis, ginásios, hospitais, entre outros.




