Como transformar uma startup num unicórnio?

O estudo “Winning formula: How Europe’s top tech start-ups get it right”, desenvolvido pela McKinsey & Company, revela que as startups europeias criadas depois de 2000, valem em média 890 milhões de euros, e, em conjunto, já receberam mais de 140 mil milhões de euros em financiamento.

Fábio Carvalho da Silva

O estudo “Winning formula: How Europe’s top tech start-ups get it right”, desenvolvido pela McKinsey & Company, revela que as startups europeias criadas depois de 2000, valem em média 890 milhões de euros, e, em conjunto, já receberam mais de 140 mil milhões de euros em financiamento. Estas empresas têm quase meio milhão de colaboradores e trabalham maioritariamente nas áreas de biotecnologia e saúde (24%), B2B Software as a Service (SaaS) (18%), fintechs (16%), e-commerce e consumidor (11%), hardware (11%), entre outras.

 



Mas qual é o caminho para chegar aos mil milhões de euros?

Segundo o documento, 30% das empresas inquiridas recorrem a uma estratégia centrada em deep tech. Estes players tendem a trabalhar na área da inteligência artificial, biotecnologia e saúde ou hardware, focando-se na investigação e desenvolvimento. São caracterizadas por terem em média um menor número de colaboradores (211 vs uma média de cerca de 488) do que outras start-ups, mas distinguem-se pela forte aposta na contratação de talentos, sendo 27% dos trabalhadores provenientes das 1000 melhores universidades internacionais.

O estudo revela que 14% das startups seguem uma estratégia assente na escala, o que significa que procuram um crescimento rápido das vendas. São frequentemente empresas de e-commerce, consumidor ou media. Tendem a ter um maior número de colaboradores (em média 890), e as funções comerciais assumem maior importância (42% dos colaboradores, em comparação com uma média de 33%) do que funções de desenvolvimento de produto. Neste sentido, acabam por ter uma maior faturação (826 milhões de euros comparativamente à média de 277 milhões de euros).

A pesquisa indica ainda que 11% das startups estudadas recorrem a uma estratégia baseada em network, e são frequentemente empresas de marketplace, mobilidade e social media. Têm em média mais colaboradores (982) e requerem mais financiamento (243 milhões de euros). Na maior parte dos casos, dependem fortemente de fusões e aquisições para se internacionalizarem e atingirem um mercado considerável. Para estas empresas, é fundamental conquistar mercados locais um a um, ao invés de tentar crescer globalmente de uma só vez.

“Sabemos que, historicamente, a Europa constitui um ambiente mais desafiante e com mais obstáculos ao sucesso das start-ups. Ainda assim, assistimos a uma rápida mudança neste panorama, com cada vez mais startups a serem criadas e a crescerem a um ritmo sem precedentes”, comenta José Pimenta da Gama, sócio sénior que lidera a área de Telecomunicações e Tecnologia da McKinsey na Península Ibérica.

 

Quem são e de onde vêm os próximos 50 unicórnios?

O futuro empresarial pode ser opaco para muitos mas não para a CB Insights. A consultora voltou a arriscar na antecipação do nome das 50 start-ups que conseguirão cavalgar até ao estatuto de unicórnio (empresas que em breve vão ser avaliadas em mil milhões de dólares ou mais) mais rapidamente.

A lista dos futuros unicórnios surge no meio da pior crise de saúde pública e da consequente crise financeira de um século. Isto significa que os futuros unicórnios são sobreviventes, isolados do atual trauma económico pelos seus modelos de negócio, pela fé profunda dos seus investidores ou pelas indústrias em que atuam.

Cockroach Labs, por exemplo, é um desses exemplos. Esta start-up norte-americana vende um produto tecnológico que funciona atrás nos bastidores dos centros de dados, onde os bancos de computadores servem os serviços de ensino à distância, teletrabalho, observação e teleconferência de que agora dependemos.

O produto Cockroach, uma arquitetura de base de dados que pode “sobreviver a interrupções à escala do centro de dados”, é utilizado por grandes empresas como a Comcast, Baidu, e Bose. A empresa de Nova Iorque é apoiada por alguns investidores de capital de risco bem conhecidos do mercado , como é o caso da Google Ventures e da Benchmark.

Geograficamente, os EUA são o maior hub global de start-ups em crescimento. Cerca de 70% desta nova lista de unicórnios cavalga pelas terras do Tio Sam. Apenas 16% destas empresas são provenientes da Europa, e só 8% são asiáticas, sendo que destas apenas 2% são da China.

A nova lista de ouro é ocupada ainda por empresas de nacionalidade australiana (4%) e indiana (4%). A Argentina é o único país da América Latina que se pode congratular por ser um habitat de unicórnios (2%). Os números europeus fazem-se representar pelo Reino Unido (6%), Alemanha (6%) e França (2%) e Suécia (2%).

Portugal não consegue colocar nenhuma start-up na lista da CB Insights. Parece que ainda demorará algum tempo a encontrar-se uma start-up portuguesa ao lado dos unicórnios lusos Farfetch, Talkdesk, Outsystems e Feedzai. Porém, o ecossistema tem vaticinado um futuro brilhante para empresas como a DefinedCrowd, liderada por Daniela Braga, e para a Unbabel, liderada por Vasco Pedro.

No que toca à distribuição da área de negócios, a lista de unicórnios da CB Insight coloca 30% das empresas a operar no setor das ferramentas empresariais e big data (análise e gestão de dados) e 20% trabalham no universo da fintech (tecnologia financeira). Os restantes número distribuem-se por várias outras áreas, que vai da saúde e do hardware ao legal tech.

A avaliação média dos 50 próximos unicórnios reside atualmente nos 100 milhões de euros, uma subida face aos 90 milhões de euros calculados para uma tabela semelhante relativa a 2019. Saiba quem são as estrelas do amanhã do ecossistema de start-ups através deste link.

O estudo da CB Insights é realizado através do algoritmo Mosaic que combina a saúde financeira de uma empresa e a sua força de mercado. Nas últimas pesquisas de 2015 e 2019, a consultora conseguiu acertar em 52% e 34%, respetivamente, dos unicórnios desses mesmos anos.

 

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