OE2022 pode não ser “favas contadas”: Entre direita e esquerda, João Leão pode contar com “sete nãos”

Da esquerda à direita, os partidos com assento parlamentar apresentaram críticas, apoio e alguns anunciaram antecipadamente, ainda sem leituras profundas, o seu voto contra o OE 2022. O debate da generalidade ocorre nos dias 26 e 27 de outubro.

Fábio Carvalho da Silva

O Governo, apresentou esta terça-feira, pelas mãos e voz de João Leão, o Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), depois de na segunda-feira, a 20 minutos do fim do prazo estipulado, entregar o documento na Assembleia da República.

Da esquerda à direita, os partidos com assento parlamentar apresentaram críticas, apoio e alguns anunciaram antecipadamente, ainda sem leituras profundas, o seu voto contra o OE2022. O debate da generalidade ocorre nos dias 26 e 27 de outubro.

 

“Não seria compreensível” um chumbo do OE, diz João Leão. Bloco e PCP votam contra

O Bloco de Esquerda e o PCP também já reagiram à proposta do Orçamento de Estado apresentado hoje pelo ministro das Finanças, deixando uma posição clara de oposição ao mesmo.

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Depois de João Leão ter afirmado que não vê razões para que a proposta do OE não seja aprovada pelos partidos de esquerda, o Bloco anunciou que irá votar conta o documento tal como está. Por sua vez, o PCP também já se manifestou contra a proposta.

Poucas horas após a divulgação das linhas do OE, Catarina Martins afirmou que o documento “não responde a nenhuma das áreas que o Bloco definiu como fundamentais” sendo, nesse sentido, “uma enorme desilusão” e “um autêntico balde de água fria”.

As palavras da coordenadora do Bloco visaram sobretudo o SNS: “O que nos divide não são os milhões que vão para a saúde, são as regras pelas quais o próprio SNS funciona”, criticou à margem de reunião com a direção demissionária do Centro Hospitalar de Setúbal.

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João Oliveira falou pelo PCP e criticou a proposta que não dá “uma resposta à altura dos problemas”.

“Na situação atual, considerando a resistência do Governo até este momento em assumir compromisso em matérias importantes além do Orçamento e também no conteúdo da proposta de Orçamento que está apresentada, ela conta hoje com a nossa oposição, com o voto conta do PCP”, disse o líder da bancada comunista.

O também membro do Comité Central do PCP acrescentou que a proposta de OE2022 “devia estar inserida nesse sentido geral da resposta aos problemas” do país, mas, “não só o Orçamento não se insere nele, como o Governo não dá sinais de querer assumir esse caminho”.

Partido Socialista lembra que “há margem para negociação”

O PS afirmou hoje que o Orçamento do Estado para 2022 não chegou à Assembleia da República “com porta fechada” e “há margem de negociação”, mas avisou que não pode ser só o Governo e os socialistas a cederem.

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Confrontado com a posição muito crítica do BE em relação ao documento, que minutos antes admitiu que sem alterações poderá repetir o voto contra já na generalidade, João Paulo Correia contrapôs que todos os temas que o Bloco tem colocado em cima da mesa “têm tido avanços”, como a agenda para o trabalho digno ou a “dedicação plena” dos profissionais de saúde ao SNS.

“Este orçamento nem pode ser o programa eleitoral de um habitual parceiro parlamentar, e também não é 100% o programa eleitoral do PS, é o orçamento do programa eleitoral do PS com as devidas convergências com os parceiros parlamentares”, disse, frisando que, em anos anteriores, “houve sempre margem de negociação entre a fase da generalidade e a especialidade”.

Segundo João Paulo Correia, os socialistas mantêm-se otimistas e confiantes que, até ao dia da votação na generalidade.

“Verdes” e PAN deixam “voto em aberto”

A porta-voz do PAN adiantou hoje que o sentido de voto do partido na generalidade para o Orçamento do Estado para 2022 está “em aberto”, advertindo para uma “maior execução” das medidas inscritas na proposta deste ano.

“Neste momento, tendo em conta não só aquilo que é uma análise preliminar deste Orçamento, como também a ausência de uma mais eficaz execução do Orçamento de 2021, está tudo em aberto neste momento para o PAN”, declarou.

Também a deputada do PEV Mariana Silva considerou hoje que as medidas inscritas na proposta de Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) para combater a pobreza são preocupantes, mas recusou avançar um sentido de voto para a apreciação na generalidade.

Palavras de Leão não acalmaram PSD que mantém “preocupação”

O deputado Afonso Oliveira “mantém a preocupação” que manifestou há uns dias e garantiu que o PSD vai analisar os números.

Depois da reunião com o Governo a semana passada, Afonso Oliveira disse mesmo que, pelo que foi apresentado ao PSD, o documento estaria “numa fase embrionária” e, questionado se tal se deveria a ainda decorrerem negociações com os partidos à esquerda, respondeu afirmativamente.

“Para nós isso é claro, não que isso resulte da reunião com o Governo, resulta da incapacidade do Governo de nos apresentar o quadro macroeconómico total, foram apresentadas algumas linhas gerais sobre as quais não nos iremos pronunciar”, afirmou.

CDS-PP mantém voto contra

A deputada do CDS-PP Cecília Meireles afirmou hoje o CDS deverá votar contra a proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano (OE2022), justificando que não ver razão para alterar a sua posição.

“O CDS votou sempre contra os orçamentos do estado do PS e da geringonça, e este é um continuar desse caminho”, afirmou, indicando não ver “razão para alterar o sentido de voto” desta vez.

Iniciativa Liberal acusa Governo de faltar à verdade

“Há duas coisas que têm de ser ditas aqui e que justificam o anúncio precoce do nosso voto contrário porque a este orçamento, à apresentação deste orçamento e à conferência de imprensa deste orçamento faltaram duas coisas que para nós são absolutamente sacrossantas: faltou estratégia e faltou verdade”, afirmou o deputado único da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, criticando o facto de o Governo tentar “ser habilidoso” e “esconder aquilo que verdadeiramente se está a passar”.

“A política é feita de escolhas, às vezes escolhas difíceis, e degradar a certos setores da sociedade é quase obrigatório”, defendeu, apontando que a falta de estratégia “não é a primeira vez que acontece com orçamentos do PS”.

 

Chega quer responsabilizar BE e PCP

André Ventura antecipou hoje que o Chega votará, “com uma grande dose de segurança”, contra a proposta de Orçamento do Estado para 2022, que considerou catastrófica, e defendeu que BE e PCP “terão de ser politicamente responsabilizados”

“Eu queria anunciar que o Chega não tomou ainda uma decisão final sobre isso, mas previsivelmente, com todos os dados de que dispomos neste momento e com uma grande dose de segurança, que o nosso voto será contra”, afirmou, ressalvando que a direção nacional do partido vai reunir-se para decidir o sentido de voto.

 

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