Netflix e Amazon estão em “pé de guerra” com governo indiano

Depois de terem sido uma lufada de ar fresco para os cineastas indianos, a Netflix e a Amazon estão a ser pressionado pelas autoridades indianas, incorrendo até no risco de terem de abandonar o país.

Fábio Carvalho da Silva

A chegada da Amazon e da Netflix à Índia tem sido uma bênção para os diretores, escritores e produtores que há muito definhavam nas margens de Bollywood — uma indústria frequentemente acusada de autoritarismo.

A chegada ao país dos gigantes americanos deu aos cineastas a possibilidade de fugirem do “lápis azul” do Conselho Nacional de Certificação de Filmes e de receberem pelo seu trabalho. Agora, o Governo do país quer pressionar as gigantes empresariais do streaming e reverter toda esta situação.

“Eu coordenei um filme chamado “House Arrest” (“Prisão Domiciliária”), que foi lançado pela Netflix em 2019, e todos os que participaram ficaram entusiasmados só porque estavam a ser pagos a tempo”, confessou Samit Basu, romancista e cineasta em entrevista à CNN.

“Muitos dos direitos sobre os meus livros foram leiloados, uma mudança incrível se pensarmos que antes, as pessoas da indústria cinematográfica quase nunca tinham o hábito de recorrer aos livros para criar guiões”.

No entanto, ao que tudo indica, este sonho vai acabar devido à nova legislação do governo sobre as plataformas de streaming no país e os cineastas, como Samit Basu, temem que os gigantes digitais abandonem o investimento na índia.

Continue a ler após a publicidade

Em janeiro, o drama da Amazon “Tandav” — que foi comparado à série da Netflix “House of Cards” — enfrentou a condenação de vários políticos porque, segundo as autoridades do país, o argumento “tratava de forma pejorativa os deuses hindus”. A empresa de Jeff Bezos pediu desculpa, mas não foi o suficiente para o Executivo do país.

Três meses depois, o Governo anunciou novas regras para os conteúdos online, obrigando as plataformas de streaming a classificarem todas as obras que emitem por categorias baseadas em faixas etárias, e ficarem sujeitas à supervisão de um provedor do espetador.

“A Índia é tolerante e vai continuar assim, mas o abuso deve ser julgado”, argumentou Ravi Shankar Prasad, ministro da Tecnologia da Índia.

Continue a ler após a publicidade

Até ao momento, nem a Amazon nem a Netflix tomaram uma decisão sobre o caso. Porém, se ambas as plataformas quiserem sair do país, este será mais um “murro no estômago” contra a economia indiana altamente afetada pela covid-19 que já matou mais 234 mil pessoas.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.