Outra pandemia grave desencadeada por uma ‘doença X’ pode estar potencialmente “ao virar da esquina”, sugeriu um professor de epidemiologia e doenças infeciosas na Universidade de Edimburgo, na Escócia, que pede um melhor planeamento devido ao risco de emergir uma nova doença grave.
O especialista, Mark Woolhouse, afirma que em 2017, juntamente com outros colegas, conseguiu que a Organização Mundial da Saúde (OMS) adicionasse a ‘doença X’ à lista de patologias prioritárias. “Pensámos que a próxima pandemia emergente poderia ser um vírus que ainda nem sequer conhecíamos – muito francamente, pensámos que era o cenário mais provável”.
Mais tarde, no ano seguinte, advertiu que um novo coronavírus, como o Mers ou Sars, poderia ser uma das doenças que provocaria uma pandemia. “Não poderia ter sido mais preciso”, reconhece agora, citado pelo jornal britânico Mirror.
O epidemiologista considera, então, que os países devem já preparar-se para uma futura pandemia, apesar de a atual ainda não ter acabado. “A hora de agir preventivamente é agora”, sublinha. Quando questionado se a próxima ‘doença X’ poderia estar potencialmente ao virar da esquina, Woolhouse respondeu: “absolutamente”.
O especialista vai mais longe e afirma que o surgimento da tal doença não é uma questão de “se”, mas sim de “quando”. “Não podemos determinar quando, é claro. O mecanismo preciso pelo qual um vírus emerge é sempre extremamente imprevisível. Nunca se pode prever eventos precisos, então tem de se fazer isso com base na probabilidade de bases estatísticas”, afirmou.
Jean-Jacques Muyembe Tamfum, professor e médico que ajudou a descobrir a ébola, lançou o mesmo alarme sobre o surgimento de novas doenças tão ou mais graves do que a covid-19. O especialista avança ainda que, no futuro, as novas pandemias podem ser mais prejudiciais e mortais que o novo coronavírus.
Muyembe Tamfum, que dirige atualmente o Instituto Nacional de Investigação Biomédica em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, alerta que mais doenças zoonóticas (que se transmitem de animais para humanos, como a covid-19) estão nas previsões da comunidade científica.




