A inalação de vacinas gera fortes respostas de anticorpos em ratos e primatas sem causar danos pulmonares, aponta um novo estudo publicado esta quinta-feira. Os resultados sugerem que a inalação de vacinas poderia ser utilizada para doenças respiratórias, incluindo a Covid-19, de acordo com a investigação.
“Esta estratégia permite potencialmente uma entrega mais eficaz de terapias ou vacinas, enquanto reduz a possibilidade de efeitos secundários tóxicos”, explica Wadih Arap, coautor do estudo do Rutgers Cancer Institute em Nova Jersey, nos Estados Unidos.
“Na investigação, que ainda está em curso, esperamos que o nosso trabalho desempenhe um papel crucial no desenvolvimento de vacinas e tratamentos destinados a bloquear a propagação de doenças infeciosas respiratórias, possivelmente para a atual pandemia, especialmente no contexto de populações com menos acesso a tratamentos”, acrescenta.
Segundo os autores do estudo, a administração pulmonar tem muitas vantagens sobre outras vias de administração, particularmente para o desenvolvimento de vacinas ou terapêuticas contra infeções respiratórias, porque as vacinas chegam diretamente ao local da infeção.
A vacinação por inalação não requer agulhas e é pouco invasiva, o que é especialmente atrativo para a administração de doses múltiplas. Além disso, reduz os potenciais efeitos secundários ao conseguir uma ação mais rápida do que a vacinação com agulha.
“Os pulmões estão constantemente expostos a agentes patogénicos transportados pelo ar e é provável que tenham um elevado nível de atividade de defesa imunitária, portanto, representam um local eficaz para a proteção imunitária contra agentes patogénicos respiratórios”, explica a coautora, Renata Pasqualini, do Rutgers Cancer Institute.
A inalação de vacinas pode proteger contra agentes patogénicos transportados pelo ar que causam doenças tais como tuberculose, gripe, ébola, sarampo e mesmo a covid-19. No entanto, esta abordagem não tem sido amplamente adotada, em parte, porque “os mecanismos fisiológicos subjacentes continuam a ser largamente desconhecidos”, ressalvam ainda os investigadores.
A resposta a esta pergunta é fundamental para a conceção de um sistema geral de administração pulmonar para uso generalizado, frisam ainda os investigadores.














