Um menino de quatro anos foi infetado com o novo coronavírus em Itália em novembro de 2019, numa clara evidência de que a doença já se estava a espalhar pelo mundo, muito antes de a China reconhecer o surto, avança o ‘Daily Mail’.
A criança, que morava perto de Milão e não tinha viajado para o exterior, apresentou sintomas respiratórios no dia 30 de novembro do ano passado e foi levada às urgências do hospital. A 5 de dezembro de 2019, a criança fez o teste e o resultado foi positivo para o vírus que causa a Covid-19.
Apesar disto, o vírus não foi detetado em Itália até ao final de janeiro, poucas semanas antes de o contágio se transformar no primeiro grande surto da Europa. A China há muito que é acusada de encobrir a epidemia nos seus estágios iniciais, negando assim a outros países tempo para se prepararem para o ataque de infeções.
A última descoberta surgiu três semanas após um estudo do Instituto Nacional do Cancro de Itália, que sugeriu que o vírus estava a espalhar-se no país já em setembro de 2019. Os investigadores descobriram que dezenas de voluntários envolvidos num teste de setembro a março desenvolveram anticorpos contra a Covid-19 ainda antes de fevereiro.
Um outro teste descobriu que pelo menos quatro pessoas já tinham anticorpos na primeira semana de outubro, sugerindo que poderiam ter contraído o vírus em setembro. Este novo estudo sugere que um menino de quatro anos que desenvolveu tosse a 21 de novembro também pode ter sido infetado com o vírus.
Nove dias depois de adoecer pela primeira vez, a criança foi «levado às urgências com sintomas respiratórios e vómitos», revela o estudo. A 1 de dezembro, o menino desenvolveu uma erupção cutânea semelhante ao sarampo, e na altura presumia-se que fosse essa a causa da sua doença.
Isto significa que o cotonete, com o qual foi realizado o teste na altura, «não era ideal’ para detetar a Covid-19 porque foi retirado da garganta e não do nariz» da criança. No entanto, a amostra foi «confirmada como positiva por amplificação e sequenciamento repetidos», disseram os cientistas.
Num artigo publicado no Journal of Emerging Infectious Diseases, os investigadores afirmam que as suas descobertas estavam «de acordo com outras evidências da propagação precoce da Covid-19 na Europa». O estudo revela que uma «disseminação não reconhecida a longo prazo» do vírus pode ajudar a explicar por que motivo o surto foi tão destruidor em Itália em fevereiro e março.








