A União Europeia (UE) e o Reino Unido frisaram hoje não haver condições para conclusão de um acordo pós-‘Brexit’ dadas as “diferenças significativas” entre os dois blocos. Se o cenário tão temido se confirmar, será um duro golpe para empresas e consumidores europeus e britânicos. Décadas de livre circulação de bens, serviços, pessoas e capitais vão acabar por ter de terminar abruptamente quando o Reino Unido sair do mercado único da UE a 31 de dezembro de 2020.
– Ao mesmo tempo, começam a ser verificados os camiões que entram e saem do país, assegurando que têm todos os documentos necessários. Cerca de 10 mil camiões atravessam o oceano a bordo de ferries todos os dias, carregando um sexto de todo o comércio de produtos. Somando os veículos que seguem para o continente através da linha do comboio, a nova burocracia poderá levar a filas de perto de 30 quilómetros e atrasos de 60 horas nas entregas;
– Os criadores de gado também enfrentam problemas, uma vez que os animais passam a contar com uma taxa de exportação para o Reino Unido, de perto de 50%. Com a aplicação desta taxa e com o fim dos subsídios da União Europeia, acaba-se o lucro e chega o prejuízo;
– O impacto do Brexit na bolsa, por seu turno, parece ser pouco significativo. Os grandes bancos e companhias dedicadas à compra e venda de ações prepararam-se a tempo e abriram escritórios em países da União Europeia;
– A ganhar com o Brexit estão os serviços de logística: os armazéns estão cheios de produtos que poderão ser mais difíceis de encontrar a partir daqui, desde cerveja Heineken a creme Nivea;
– Os músicos – ou quaisquer outros profissionais que precisem de viajar pela Europa –, por outro lado, têm a vida menos facilitada: são precisas autorizações para transportar os instrumentos, além de vistos para tocar em cada um dos países por onde passa a digressão;
– De acordo com a Bloomberg, a maioria dos britânicos precisará de alguns dias para sentir os efeitos do Brexit sem acordo. A acumulação de stocks prevenirá falhas imediatas nas prateleiras e o plano do governo para o transporte de medicamentos, químicos e combustível também será eficaz durante algum tempo.
Eventualmente, acabam os morangos frescos e os tomates, o preço da alface e dos pepinos sobem, as imagens de supermercados vazios tornam-se virais na Internet, instigando o pânico. Começam os encerramentos de fábricas e a confusão generalizada em torno dos portos. Boris Johnson salta para a televisão para discursar, pedir calma e a assegurar que o Brexit valerá a pena.






