Sabia que os desenhos de Da Vinci escondem um ‘outro’ segredo?

Uma equipa de investigadores encontrou uma nova forma de catalogar e classificar as obras de artistas, a partir do estudo do microbioma, que revela informações ocultas.

Sónia Bexiga

À procura de possíveis segredos escondidos em algumas das obras mais importantes de Da Vinci, uma equipa de pesquisadores da Universidade de Recursos Naturais e Ciências Aplicadas à Vida de Viena (Áustria) e do Instituto Central de Arquivo e Patologias do Livro da Itália, decidiram investigar em profundidade o que está para além do que se vê a olho nu em sete dos desenhos mais conhecidos de Leonardo, e os resultados foram surpreendentes.

Segundo o seu estudo, publicado na ‘Frontiers in Microbiology’, todas estas obras têm um microbioma diferenciador muito característico que as torna verdadeiramente reconhecíveis, asseguram os especialistas. O microbioma é o conjunto de microrganismos que partilham o mesmo habitat em particular. Este tipo de organismos não são percetíveis à vista desarmada e, por isso, são necessárias tecnologias mais avançadas para tentar entender como e por que coexistem no mesmo ponto.

Os investigadores procuravam um elemento oculto que servisse para encontrar padrões comuns em todos os desenhos de Leonardo e encontraram, ainda que nada tenha nada a ver com o que esperavam descobrir. Não existem símbolos ocultos ou hieróglifos estranhos, apenas um ecossistema microscópico comum.

Ao analisar esses sete desenhos, a surpresa veio quando descobriram que o microbioma de cada desenho era único o suficiente para poder identificar cada uma das obras graças a esses microrganismos. Mas, além disso, toda a coleção tem vários pontos em comum que lhes permitem partilhar certas semelhanças no seu microbioma.

Por outras palavras, o conjunto destas obras pode ser facilmente reconhecido como de um mesmo autor e, ao mesmo tempo, com diferenças substanciais entre elas que permitem que sejam identificadas individualmente.

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Mas que importância e aplicação real tem esta descoberta de certos fungos e bactérias nos desenhos de Leonardo? Em primeiro lugar, permite que os investigadores os localizem em locais específicos onde o desenho foi feito, além dos locais por onde passou ao longo da sua vida, como armazéns, restauradores ou marchands, entre muitos outros. E é uma informação muito valiosa para os investigadores porque o microbioma tem uma história para contar que pode até permitir com as fraudes e falsificações.

Com base na utilização de uma ferramenta chamada Nanopore, responsável por sequenciar o material genético desses elementos para encontrar diferentes materiais biológicos e classificá-los, no caso dos sete desenhos de Da Vinci, os especialistas acreditam que a maior parte do DNA humano descoberto provém de pessoas que foram responsáveis ​​por restaurar e cuidar das obras desde o século 15.

Foi ainda possível confirmar que todas as obras estudadas são originais e ainda tiveram uma surpresa: a alta concentração de bactérias que possuíam em relação ao número de fungos. ” Em conjunto, os insetos e a localização geográfica parecem ter deixado um rastro invisível visível nos desenhos”, disseram os investigadores, em comunicado, acrescentando ter descoberto um novo método para classificar obras de arte – uma espécie de ‘CSI microbiológico’ com o qual podem atribuir a autoria das obras, em casos de autores desconhecidos, e com alta probabilidade de sucesso.

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