A população do Reino Unido pode ser obrigada a esperar até dois anos para ter acesso à vacina contra a Covid-19, devido ao fracasso do governo britânico em garantir produtos essenciais para a sua distribuição, alertaram especialistas, citados pelo ‘Independent’.
Esta segunda-feira surgiu a preocupação de que o Reino Unido não tenha frascos de vidro clínicos, camiões refrigerados ou equipamentos de proteção individual suficientes para a distribuição em massa de uma vacina em todo o país.
Apesar deste obstáculo, o secretário da saúde britânico, Matt Hancock, já referiu que espera que uma vacina esteja disponível à escala nacional no início do próximo ano. Contudo, os especialistas desconhecem que o responsável tenha falado com a AstraZeneca para garantir os materiais necessários, caso a vacina seja aprovada.
«Podemos não conseguir uma vacinação em massa no tempo estimado», disse Philip Ashton, diretor-executivo-do grupo de consultoria de logística 7Bridges, citado pelo ‘Independent’. «Os trabalhadores da linha da frente e as pessoas de alto risco podem ser vacinados até ao final do próximo ano, mas vacinar toda a população é um verdadeiro desafio», acrescentou.
O especialista em logística não acredita que o Reino Unido tenha camiões de «cadeia de frio» suficientes para o transporte de todas as doses da vacina necessárias. Este é um sistema de armazenamento e transporte de vacinas, que garante as temperaturas recomendadas do ponto de produção ao ponto de administração.
Um fonte envolvida no trabalho do Oxford Vaccine Group, uma das equipas que estão a desenvolver uma das vacinas candidatas, também disse ao jornal britânico que o governo não está preparado para os desafios logísticos que se avizinham.
«É o papel do governo oferecer os reagentes necessários para produzir a vacina, mas com muitos países como a China a acumular produtos, sei que existe a preocupação de não haver o suficiente, e com rapidez suficiente, para produzir a vacina na quantidade necessária», disse a mesma fonte.
Segundo o ‘Independent’, a equipa por trás da vacina da Universidade de Oxford não espera que as doses estejam disponíveis em escala nacional até ao final do próximo ano, pelo menos. Estima-se que o Reino Unido precise de até 120 milhões de doses, o suficiente para conduzir um programa de vacinação de duas fases para toda a população.
Uma pesquisa da Airfinity, uma agência de análise científica baseada em dados, mostra que o governo britânico fez uma pré-encomenda de 380 milhões de doses de vacinas a vários fabricantes globais, o que equivale a 5,7 doses por pessoa. No entanto, a escassez de materiais pode limitar o número de doses disponíveis para a população em geral.
Mark Woolhouse, consultor médico do governo, sugeriu que a maioria das pessoas no Reino Unido poderia ter de esperar até dois anos para ter acesso à vacina. Segundo o responsável «alternativas», como testes populacionais em massa, seriam necessários para controlar a doença enquanto não existe uma vacinação em massa.
«A maioria das pessoas com quem converso e que estão envolvidas no desenvolvimento de vacinas acha que poderemos ter uma vacina em seis meses, mas é duvidoso que sejamos capazes de implementá-la em larga escala nesse período», disse, citado pelo ‘Independent’.





