A possibilidade de reduzir a semana de trabalho a quatro dias não é novidade e há empresas, em diferentes pontos do planeta, a testar essa abordagem. Porém, em contexto de pandemia, surgem agora vozes que sugerem que a semana reduzida poderá ajudar a salvar a economia depois da COVID-19.
Um dos benefícios apontados diz respeito à poupança em termos de electricidade ou renda. O teletrabalho a que a crise sanitária obrigou veio demonstrar que os profissionais de diferentes áreas conseguem cumprir as suas funções a partir de casa, mas também que as empresas podem reduzir custos.
De acordo com o Independent, defensores da semana de quatro dias consideram que esta opção seria vantajosa para todas as partes: para a economia, para a igualdade de género e para o bem-estar mental dos trabalhadores (especialmente na sequência de uma pandemia).
E, no Reino Unido, esta possibilidade parece estar cada vez mais próxima. No passado mês de Junho, um grupo de membros do Parlamento pediu ao ministro responsável pelas contas do governo para que a semana de quatros dias seja adoptada, argumentando que seria uma “ferramenta poderosa para recuperar da crise”.
Na carta enviada a Rishi Sunak, os deputados escrevem que “horários reduzidos têm sido usados ao longo da História como resposta a crises económicas”. Nos Estados Unidos da América, por exemplo, o presidente Franklin Roosevelt implementou as 40 horas semanais para salvar empregos durante a Grande Depressão dos anos 30.
Segundo o think tank Autonomy, a semana de quatro dias pode ajudar a salvar meio milhão de postos de trabalho no sector público britânico. Este grupo de investigadores propõe que seja criado um esquema subsidiário através do qual as empresas pagariam 80% dos salários e o governo cobriria o restante.
Há ainda outro lado a considerar: um estudo elaborado pela Henley Business School mostra que 39% das pessoas aproveitaria a folga extra para almoçar ou jantar fora e que 43% iria ao cinema ou ao teatro. «O tempo extra poderia reactivar a economia», afirma a investigadora Miram Marra ao Independent.
O mesmo estudo mostra que 72% das pessoas teria mais interesse num trabalho que oferecesse uma semana de quatro dias. Além disso, 40% garante que usaria o tempo adicional para desenvolver competências profissionais, pelo que a redução do horário também poderia resultar em maior eficiência e trabalhadores mais qualificados.














