1 de abril: a origem e tradições do Dia das Mentiras

O Dia das Mentiras, também conhecido em vários países como o Dia dos Tolos, é celebrado anualmente a 1 de abril em muitas regiões do mundo. Neste dia, as brincadeiras e os embustes tornam-se a norma, e a comunicação social junta-se à tradição, divulgando histórias falsas para enganar o público. Mas de onde vem esta tradição?

Pedro Gonçalves

O Dia das Mentiras, também conhecido em vários países como o Dia dos Tolos, é celebrado anualmente a 1 de abril em muitas regiões do mundo. Neste dia, as brincadeiras e os embustes tornam-se a norma, e a comunicação social junta-se à tradição, divulgando histórias falsas para enganar o público. Mas de onde vem esta tradição?

A origem precisa do Dia das Mentiras continua a ser debatida, mas muitas teorias apontam para festivais e tradições ancestrais. Alguns historiadores acreditam que remonta à França medieval, onde o ano novo era originalmente celebrado a 25 de março, com as festividades a prolongarem-se até 1 de abril. Com a introdução do Calendário Gregoriano em 1564, o Dia de Ano Novo passou a ser oficialmente a 1 de janeiro. Aqueles que continuaram a festejar em abril foram ridicularizados e apelidados de “tolos de abril”.



Outras teorias ligam a tradição a festivais pagãos, como a Hilaria, uma celebração da Roma Antiga em honra da deusa Cibele, na qual as pessoas se disfarçavam e zombavam umas das outras sem repercussões. Há também semelhanças com o Festival Holi, celebrado na Índia, onde as pessoas se divertem com brincadeiras coloridas para marcar a chegada da primavera.

A primeira referência escrita conhecida ao Dia das Mentiras surge num poema flamengo de 1561, da autoria de Eduard de Dene. Neste poema, um nobre engana o seu criado, enviando-o em várias tarefas impossíveis, apenas para revelar no final que tudo não passava de uma piada.

Como o Dia das Mentiras é celebrado pelo mundo

Embora as brincadeiras de 1 de abril sejam comuns em muitos países, cada região tem as suas próprias tradições e peculiaridades:

  • França, Bélgica, Itália e Suíça francófona: As crianças tentam colar um peixe de papel nas costas dos amigos e gritam “Poisson d’avril” (Peixe de abril) quando bem-sucedidas.
  • Reino Unido: As brincadeiras só são permitidas até ao meio-dia; após essa hora, quem ainda prega partidas é considerado o verdadeiro “tolo”.
  • Escócia: As celebrações duram dois dias. O primeiro é dedicado a brincadeiras gerais, enquanto o segundo, conhecido como “Dia do Tolo”, é marcado pela tradição de colocar caudas falsas nas costas das pessoas.
  • Irlanda: A vítima de uma brincadeira é enviada com uma carta, que ao ser aberta diz apenas “Envie o tolo a outra pessoa”, perpetuando a partida.
  • Países Baixos: É costume atirar arenques aos vizinhos e gritar “haringgek” (tolo do arenque).
  • Alemanha: A tradição “Aprilscherz” envolve contar histórias absurdas mas inofensivas para enganar os outros.
  • Grécia: Acredita-se que enganar alguém com sucesso a 1 de abril trará boa sorte ao brincalhão durante o resto do ano.
  • Polónia: Existe um aviso popular que diz “Prima Aprilis, uważaj, bo się pomylisz!”, que significa “Dia dos Tolos, tenha cuidado – pode estar a ser enganado!”.
  • Portugal e Espanha: Em Portugal, a tradição das “petas” do Dia das Mentiras ainda persiste, embora tenha perdido força ao longo dos anos. Em Espanha, as partidas são mais comuns no Dia dos Santos Inocentes, celebrado a 28 de dezembro.

Brincadeiras famosas dos meios de comunicação

A comunicação social tem desempenhado um papel central na perpetuação do Dia das Mentiras, divulgando histórias falsas para enganar o público. Algumas das mais memoráveis incluem:

  • A lavagem dos leões da Torre de Londres: Em 1698, um jornal britânico anunciou que os leões da Torre de Londres seriam lavados numa cerimónia especial. Multidões acorreram ao local, apenas para perceberem que tinham sido enganadas.
  • A colheita de esparguete na Suíça: Em 1957, a BBC transmitiu uma reportagem falsa sobre agricultores suiços que estavam a colher esparguete de árvores, levando muitos telespectadores a perguntar como poderiam cultivar a sua própria “colheita”.
  • Pinguins voadores: Em 2008, a BBC divulgou um vídeo de pinguins supostamente capazes de voar, narrado por Terry Jones, do Monty Python.
  • A candidatura de Nixon: Em 1992, a NPR nos EUA transmitiu um falso discurso de Richard Nixon anunciando que se candidataria novamente à presidência, causando um rebuliço temporário.
  • Aviões com asas que batem: A Virgin Atlantic divulgou imagens de um avião cujas asas batiam como as de um pássaro.

Em Portugal, a RTP tem uma longa tradição de reportagens falsas neste dia, muitas vezes com a assinatura de Fernando Pessa. Entre as mais famosas estão:

  • O fim das portagens na Ponte 25 de Abril;
  • A descoberta de petróleo em Portugal;
  • O envio de um astronauta português para o espaço;
  • A mudança do nome da cidade do Porto para “Oporto”.

O Dia das Mentiras continua a ser uma data de diversão e criatividade, onde a imaginação não tem limites. Embora algumas pessoas sejam mais céticas nesta data, outras continuam a cair em “petas” que desafiam a realidade. No fim de contas, o importante é garantir que a diversão prevaleça sobre a confusão e que as brincadeiras sejam feitas de forma inofensiva e bem-humorada.

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