XV Conferência ED: Inteligência Artificial quase humana?

Antes de dar início à sua intervenção na XV Conferência Executive Digest, Arlindo Oliveira quis deixar algo bem claro: o presidente do Instituto Superior Técnico (IST), onde se realizou o evento, acredita que a Inteligência Artificial já existe e vai continuar a existir e a ser desenvolvida; o Blockchain, por seu turno, ainda é algo que pertence ao futuro e que está à procura do seu caminho.

Com esta nota de abertura, o responsável avança para a apresentação que tinha preparado sob o tema “Tecnologias e Aplicações”. De acordo com Arlindo Oliveira, é difícil prever a dimensão e os contornos que a Inteligência Artificial irá tomar, tal como é difícil prever o que acontecerá com qualquer tecnologia. Citando a Lei de Amara, o presidente do IST indica que sobrestimamos o impacto da tecnologia no curto-prazo e subestimamos a sua influência no longo-prazo.

Ainda assim, Arlindo Oliveira resolve deixar algumas luzes sobre o tema, invocando outra teoria. Segundo a The Church Turing Tesis, todos os computadores são equivalentes, o que significa que, considerando o cérebro um computador, qualquer computador digital terá capacidade de vir a imitar tudo o que os homens fazem. Mesmo que demore mais tempo a chegar lá.

A Inteligência Artificial tem alguns pontos em comum com esta ideia, uma vez que são muitas as empresas a trabalhar no sentido de criar robôs capazes de substituir funções humanas. Telemarketing, radiologia e condução de camiões são algumas das áreas profissionais que poderão, em breve, deixar de contar com colaboradores de carne e osso. O presidente do IST aponta ainda para outras características da Inteligência Artificial já a serem desenvolvidas, nomeadamente análise de dados e optimização de pesquisas. Tudo isto sob o chapéu do conceito machine learning, que consiste em oferecer ao computador as entradas e saídas necessárias para ele próprio criar um programa (em vez de lhe dar a informação de entrada e o programa e esperar por um resultado).

O único campo em que Arlindo Oliveira considera que esta tecnologia ainda não está suficientemente desenvolvida é o da Strong IA, ou seja, Inteligência Artificial ao nível da humana. Para isso, seria necessário, por exemplo, avançar com uma simulação integral do cérebro, de modo a replicar cada um dos neurónios e processos neuronais que fazem parte do cérebro humano. Para já, podemos contar apenas com processadores tão ou mais rápidos que o cérebro, mas não com o mesmo número de neurónios.

Para concluir, Arlindo Oliveira deixa apenas um alerta, em jeito de provocação: para os que anseiam pela Super Inteligência, é bom garantir que os computadores estão alinhados connosco. Caso contrário, se lhes pedirmos para descobrirem uma forma de acabar com o aquecimento global, a conclusão mais óbvia será eliminar a raça humana.

Texto de Filipa Almeida

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