Um em cada três profissionais de saúde apresenta níveis de “burnout” severo

A análise conclusiva dos investigadores, é de que níveis altos de burnout conduzem habitualmente a menor envolvimento com o trabalho e índices inferiores de produtividade e performance.

Simone Silva

Um em cada três profissionais de saúde apresentam níveis de esgotamento severo, derivado à crise de saúde pública da Covid-19, de acordo com um estudo da Universidade Portucalense, desenvolvido pelo REMIT (Research on Economics, Management and Information Technologies), divulgado esta segunda-feira.

Num comunicado enviado às redações, o instituto revela que «os altos níveis de contágio, e consequente rutura do setor de saúde provocam efeitos colaterais para além da exaustão física em quem está na linha de frente, é o caso de síndromes emocionais, como o Burnout (esgotamento), em que um em cada três profissionais de saúde apresentam níveis severos do sintoma».

Segundo a pesquisa liderada pelos investigadores Sofia Gomes e Pedro Ferreira, cerca de 58,2% dos inquiridos apresentam elevada exaustão emocional («esgotamento emocional traduzido por um grande cansaço no trabalho, acompanhado de uma sensação de vazio e pela dificuldade em lidar com as emoções dos outros»).

Adicionalmente, do total de 196 profissionais de saúde inquiridos entre novembro de 2020 e janeiro de 2021, (pico da pandemia em Portugal), cerca de 54,6% apresentam uma «elevada perda de realização pessoal» (sentimento de insucesso profissional) e 33,7% apresentam um «elevado nível de despersonalização» (atitude mais distanciada na prestação de cuidados).

«A análise conclusiva dos investigadores, é de que níveis altos de burnout conduzem habitualmente a menor envolvimento com o trabalho e índices inferiores de produtividade e performance, e identificam a resiliência como fator determinante no combate à esta síndrome», revela o estudo.

Continue a ler após a publicidade

Os investigadores apontam ainda no mesmo relatório que «quanto maior o nível de recuperação das adversidades e adaptação a situações de tensão e stress, maiores os níveis de realização pessoal, e consequentemente, menores os níveis de exaustão e de despersonalização».

Importa ainda referir que do total de 196 profissionais de saúde envolvidos, cerca de 77% são do sexo feminino, 73,3% têm menos de 40 anos, e 53,1% têm filhos. No que diz respeito à profissão, 73% são enfermeiros, 24,5% são médicos, «sendo que 55,6% exercem a sua profissão há mais de 11 anos e nos últimos seis meses trabalharam em média 47,6 horas, em que o número máximo registado foi de 140 horas semanais».

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.