Os países da União Europeia são altamente dependentes de equipamentos de defesa estrangeiros: de acordo com o novo relatório sobre a competitividade da UE, elaborado por Mario Draghi, quase dois terços das suas compras militares chegam dos Estados Unidos. De acordo com o estudo, o bloco europeu não está a investir adequadamente em projetos militares conjuntos e a perder a oportunidade de construir a sua própria indústria de Defesa.
Escrito pelo ex-primeiro-ministro italiano e presidente do Banco Central Europeu, o relatório destaca os gastos insuficientes da Europa em pesquisa e desenvolvimento para Defesa. “A UE está a desperdiçar os seus recursos coletivos”, sustenta. “Temos um poder de gasto significativo, mas diluímos em várias iniciativas nacionais e europeias”, refere o relatório, que pede uma grande revisão da estratégia industrial da UE para fortalecer o setor de Defesa europeu.
“Não estamos a unir forças na indústria de Defesa para ajudar as nossas empresas a se integrar e crescer”, acrescenta o relatório de Draghi, observando a falta de apoio às empresas de Defesa europeias competitivas.
Entre 2022 e 2023, 63% de todos os contratos de Defesa da UE foram concedidos a empresas dos EUA, com outros 15% a irem para fornecedores de fora da UE: os Países Baixos foi o mais recente Estado-membro a avançar para a compra de caças F-35 de fabrico americano, destacando ainda mais a dependência contínua de fornecedores americanos.
Em 2022, as nações da UE gastaram coletivamente 10,7 mil milhões de euros em P&D de Defesa, meros 4,5% do gasto total com Defesa. Em comparação, os EUA investiram 140 mil milhões de dólares, ou cerca de 16% do seu orçamento total em Defesa, uma disparidade que ressalta o atraso da Europa na modernização da Defesa.
Desde a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014, os aliados da NATO — a maioria dos quais faz parte da UE — aumentaram os seus gastos com Defesa, visando atingir a meta de 2% do PIB. Atualmente, a aliança atlântica projeta que 23 dos seus 32 membros atingirão a meta de 2% até ao final de 2024, em comparação com apenas três em 2014.
O relatório também enfatiza que os aliados da NATO precisam de alocar pelo menos 20% dos seus orçamentos de Defesa para novos equipamentos e P&D. Projetos conjuntos de defesa, como o A-330 Multi-Role Tanker Transport, são citados como sucessos, mas o caos logístico causado pelo fornecimento à Ucrânia de 10 tipos diferentes de obuses destaca as ineficiências da aquisição fragmentada.




