Ucrânia: Recorde de sanções aplicadas pelos EUA pode retirar força ao dólar

A administração norte-americana de Joe Biden tornou-se recordista na aplicação de sanções, visando Rússia – sobretudo após a invasão da Ucrânia iniciada em 2022 – China e outros adversários, mas os analistas temem que tal leve o dólar a perder força.

Executive Digest com Lusa

A administração norte-americana de Joe Biden tornou-se recordista na aplicação de sanções, visando Rússia – sobretudo após a invasão da Ucrânia iniciada em 2022 – China e outros adversários, mas os analistas temem que tal leve o dólar a perder força.

Segundo números de várias organizações internacionais, desde os anos 1990, duas em cada três sanções económicas a nível global foram impostas pelos Estados Unidos, que nos últimos anos intensificaram ainda mais a sua política de medidas restritivas, como retaliação por violações de direitos humanos, fomento do terrorismo, tráfico de droga, entre outras atividades consideradas danosas dos interesses norte-americanos.

De acordo com Tim Beal, especialista em Relações Internacionais, os Estados Unidos usam as sanções como “instrumento de coerção” e têm intensificado essa estratégia, muitas vezes de forma unilateral, junto de países com regimes políticos classificados como adversários ou inimigos, incluindo Cuba, China, Irão, Coreia do Norte e Rússia.

No ano passado, os alvos fizeram crescer a lista de sancionados (pessoas e organizações) em 5.500 e centraram-se sobretudo na Rússia – em grande parte, ainda por causa da invasão da Ucrânia iniciada em 2022 – e na China, considerada pela Casa Branca como “o principal inimigo” dos interesses norte-americanos.

O Presidente Joe Biden – que termina este ano o seu primeiro mandato e que concorre a um segundo – tem sido o recordista desta estratégia.

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Segundo números do Departamento de Tesouro norte-americano, Biden impôs o dobro das sanções do seu antecessor o republicano Donald Trump, e o triplo do democrata Barack Obama.

Não foi apenas o número de sanções que aumentou exponencialmente, mas também a monitorização da sua aplicação, que passou a ser vigiada de forma mais próxima, com recurso a aplicação de pesadas multas sempre que eram violadas.

As sanções vão desde a proibição de exportações de armas, controlo de uso de tecnologias, proibição de entrada em território norte-americano, congelamento de ativos ou restrições na atribuição de vistos.

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Contudo, para vários analistas, estas medidas nem sempre conseguem os efeitos desejados e, algumas vezes, acabam mesmo por prejudicar os interesses norte-americanos, ajudando a enfraquecer o dólar, na medida em que os países e organizações afetadas acabam por procurar outros mercados e outras moedas.

Num recente relatório, o Departamento de Tesouro dos EUA reconheceu que algumas das medidas restritivas contribuíram para o fenómeno classificado como “desdolarização”, como quando a Rússia e a China criaram mecanismos de transação internacional que contornam as limitações impostas pelos norte-americanos, como o Sistema de Transferências de Mensagens Financeiras (SPFS, na sigla em inglês) ou o Cross-Border Interbank Payment System (CIPS).

Alguns analistas chamam a atenção para os movimentos que têm sido criados no interior de organizações como o grupo dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul), que procuram usar as suas próprias moedas como forma de transação, quando alguns dos seus países começaram a ser mais afetados pelas sanções norte-americanas.

Organizações de defesa dos direitos humanos também criticam a postura muito dura da Casa Branca, acusando os Estados Unidos de descurarem os interesses humanitários, quando as suas sanções afetam a população mais vulnerável dos países afetados, como tem acontecido com Cuba.

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