A Ucrânia garantiu esta segunda-feira que as negociações para a adesão à União Europeia “estão a assumir uma dimensão prática”, num momento em que Kiev defende que a sua entrada no bloco é parte integrante da futura arquitetura de segurança europeia.
Segundo a ‘Europa Press’, o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andriy Sibiga, afirmou, após reunião com o secretário-geral do Conselho da Europa, Alain Berset, que o processo já ultrapassou a fase meramente política. “Acredito que este processo está a assumir uma dimensão prática. As negociações estão em andamento. Já tivemos discussões concretas com diferentes perspetivas e abordagens, mas certamente ainda há muito trabalho a ser feito”, declarou.
Kiev sustenta que existe uma crescente consciencialização dentro da União Europeia sobre a importância estratégica da sua adesão, sobretudo num contexto em que eventuais acordos de paz e garantias de segurança passarão a integrar o desenho da segurança coletiva do continente.
De acordo com a ‘Europa Press’, Sibiga reconheceu que, apesar do aumento do consenso, subsistem reservas entre alguns Estados-membros. “Há um certo grau de entendimento, mas também existe alguma resistência a essa abordagem”, admitiu, apontando diretamente a Hungria como o principal obstáculo. O ministro classificou a posição de Budapeste como “míope”, acusando-a de bloquear os esforços ucranianos para avançar com o processo.
A Ucrânia tem pressionado para acelerar a integração europeia, tendo sido apontado 2027 como data-alvo para a adesão. Para Sibiga, a entrada no bloco não é apenas uma questão política ou económica, mas sim estratégica. As garantias de segurança para Kiev deverão fazer parte da futura arquitetura de segurança europeia, reforçando a necessidade de calendários “claros e definidos” para uma adesão acelerada.
Durante a visita a Kiev, Alain Berset foi distinguido com a Ordem do Mérito pelos seus esforços na criação de um Tribunal Especial para julgar o crime de agressão contra a Ucrânia. A distinção foi atribuída no âmbito do reforço dos mecanismos de responsabilização internacional.
Citado pela ‘Europa Press’, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, manifestou expectativa de avanços mais rápidos ao longo deste ano. “Muitas questões importantes foram resolvidas no ano passado e há planos para este ano. Espero que possamos avançar muito rapidamente, ainda mais rápido do que no ano passado”, afirmou após o encontro com Berset.
Zelensky insistiu ainda na necessidade de maior unidade europeia para responsabilizar a Rússia, defendendo a criação de um “mecanismo de compensação” que permita exigir responsabilidades por danos causados pela guerra.
Com as negociações em curso e a pressão política a intensificar-se, Kiev procura transformar o processo de adesão num eixo central da segurança europeia pós-guerra, numa fase em que as decisões tomadas em Bruxelas poderão redefinir o equilíbrio estratégico no continente.














