A Rússia está a ponderar enviar navios da sua Marinha para escoltar petroleiros ligados ao país que têm sido alvo de interceções e apreensões em águas europeias, no âmbito das sanções impostas pelo Ocidente. A possibilidade foi avançada por Nikolai Patrushev, antigo director dos serviços secretos russos e actual responsável pela autoridade marítima nacional, que classificou estas operações como atos de “pirataria ocidental”.
Em entrevista ao jornal russo Argumentos e Factos, citada pelo The Guardian, Patrushev afirmou que Moscovo ainda procura uma solução diplomática, mas deixou claro que uma resposta militar não está excluída. Segundo o responsável, caso a situação não seja resolvida de forma pacífica, a Marinha russa “quebrará qualquer bloqueio” e tomará medidas para eliminar as ameaças aos navios, numa referência direta às operações conduzidas por países europeus contra a chamada “frota fantasma”.
Desde o final de 2024, a União Europeia tem vindo a reforçar um pacote de sanções que já atinge centenas de petroleiros associados à Rússia, utilizados para contornar o tecto imposto pelo G7 ao preço do petróleo russo. Estas medidas, acompanhadas por sanções dos Estados Unidos e do Reino Unido, visam limitar as receitas energéticas de Moscovo, fundamentais para o financiamento da invasão da Ucrânia. O cerco apertado a estes navios tem dificultado os esforços do Kremlin para manter os fluxos de exportação de crude.
Os petroleiros integrados na chamada “frota fantasma” são, em muitos casos, navios envelhecidos, que operam sem sistemas de localização ativos e sem cobertura de seguros reconhecidos. Para além de permitirem a evasão às sanções internacionais, estas embarcações são consideradas um risco para a navegação e para o ambiente, uma vez que circulam quase sem identificação em rotas marítimas muito congestionadas.
Ao longo do último ano, mais de 600 navios foram sancionados pelos Estados Unidos, pela União Europeia e pelo Reino Unido. Ainda esta semana, as autoridades francesas libertaram um petroleiro que tinha sido apreendido em Janeiro ao largo do sul de Espanha, mas apenas após o pagamento de uma multa de “muitos milhões de euros”, conforme revelou o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot.
Na mesma entrevista, Patrushev deixou um aviso adicional, sugerindo que Moscovo poderá adotar uma postura semelhante à dos países ocidentais. Segundo afirmou, a Rússia não esquece que muitos navios navegam sob bandeiras europeias e poderá também passar a interessar-se pelo tipo de cargas transportadas e pelos seus destinos, numa declaração que aponta para o risco de uma escalada no confronto marítimo entre a Rússia e o Ocidente.








