Ucrânia avisa que qualquer restrição ao comércio dos seus cereais é “injustificada e ilegal”

A Ucrânia tem expectativas de que a União Europeia (UE) levante definitivamente as restrições impostas a importação de cereais ucranianos em cinco países (Polónia, Hungria, Roménia, Eslováquia e Bulgária), que expiram esta sexta-feira, e adianta que o prolongamento de qualquer medida deste género será “injustificada e ilegal”.

Pedro Gonçalves

A Ucrânia tem expectativas de que a União Europeia (UE) levante definitivamente as restrições impostas a importação de cereais ucranianos em cinco países (Polónia, Hungria, Roménia, Eslováquia e Bulgária), que expiram esta sexta-feira, e adianta que o prolongamento de qualquer medida deste género será “injustificada e ilegal”.

“A Ucrânia espera que, após esta data, a UE levante quaisquer restrições aos produtos agrícolas ucranianos. Tal medida impediria as violações do Acordo de Associação UE-Ucrânia, bem como dos princípios e normas do Mercado Único da UE”, indica em comunicado o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) da Ucrânia.



O ministério assinala que, para responder aos receios apontados pelos Estados que pediram o ‘travão’ aos cereais ucranianos, o país trabalhou conjuntamente com a Comissão Europeia para chegar a acordos que permitira aumentar a capacidade do corredor do Danúbio, transferir controlos sanitários e fitossanitários das fronteiras para os países de destino dos produtos ucranianos, monitorizar colheitas, bem como volume de armazenamento de cereais e analisar os fluxos comerciais destes bens nas fronteiras.

Ambas as partes, segundo o MNE ucraniano, no âmbito da tentativa de encontrar soluções a longo-prazo, desenharam os passos a seguir para criar novos locais de armazenamento de cereais em território da UE, e identificaram corredores alternativos de transporte através dos mares Báltico, Adriático e Egeu, ao mesmo tempo que introduziram controlo aduaneiro conjunto entre Ucrânia e Estados-membros da UE.

As autoridades ucranianas assinalam ainda que a analise dos dados disponíveis revela que a exportação de cereais ucranianos não é a causa da desestabilização do mercado interno europeu.

“Durante a proibição da UE e a prolongada ausência dos produtos agrícolas ucranianos, os problemas dos agricultores na Eslováquia, Polónia, Roménia e Hungria não foram resolvidos ao nível dos governos locais. Isto indica a presença de outros fatores completamente diferentes da pressão do mercado, incluindo mudanças globais nos preços”, sublinha o comunicado.

Por outro lado, o MNE ucraniano celebra a decisão da Bulgária de retomar a importação de cereais vindos da Ucrânia e pede aos outros Estados-membros, incluindo a Polónia, que já anunciou que vai manter a proibição, mesmo que a UE a levanta esta sexta-feira, a fazerem o mesmo.

“Acreditamos que é importante enfatizar que o principal concorrente da Ucrânia nos mercados globais de cereais é a Rússia, que não está sujeita e nenhuma restrição na exportação de cereais para a UE”, indica o governo ucraniano.

 

 

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.