O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou esta quarta-feira a dirigir duras críticas ao Governo espanhol liderado por Pedro Sánchez, acusando Madrid de não colaborar com Washington no contexto da ofensiva militar contra o Irão. Durante declarações à imprensa nos jardins da Casa Branca, o líder norte-americano chegou mesmo a admitir a possibilidade de impor restrições comerciais a Espanha.
“Não estão a cooperar de todo. Estão a fazê-lo realmente mal. Posso cortar todo o comércio com eles. Têm sido muito maus com a NATO e não querem pagar a sua parte justa. O povo de Espanha é fantástico, mas a sua liderança é terrível”, afirmou Trump quando questionado pelos jornalistas.
As declarações surgem num momento de crescente tensão diplomática entre Washington e Madrid, alimentada pela decisão do Governo espanhol de não autorizar a utilização de bases militares em território espanhol para operações relacionadas com os ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão.
Ameaça de embargo comercial reaparece
Não é a primeira vez que o presidente norte-americano ameaça medidas económicas contra Espanha por causa desta posição. Já a 3 de março, Trump tinha levantado a hipótese de um embargo comercial, depois de o executivo espanhol anunciar que não permitiria que Washington utilizasse as bases militares instaladas em território espanhol para apoiar a ofensiva contra Teerão.
Desde o início das operações militares no Médio Oriente, o presidente norte-americano tem manifestado irritação com o facto de Espanha não apoiar os ataques nem disponibilizar infraestruturas militares para a campanha.
A ameaça de sanções comerciais foi, contudo, considerada de difícil concretização pelas instituições europeias.
Bruxelas defende fileiras de Espanha
A Comissão Europeia reagiu às declarações de Trump sublinhando que está preparada para defender os interesses da União Europeia caso Washington avance com medidas contra Madrid.
Bruxelas recordou que qualquer tentativa de penalizar economicamente um Estado-membro poderá desencadear uma resposta conjunta do bloco europeu, reforçando o apoio político a Espanha neste diferendo com a administração norte-americana.
Perante as críticas de Washington, Pedro Sánchez reafirmou a posição do Governo espanhol num discurso institucional proferido no Palácio da Moncloa.
“Não vamos ser cúmplices de algo que é mau para o mundo e que, além disso, vai contra os nossos valores e interesses, apenas por medo de represálias de alguém”, declarou o chefe do executivo espanhol.
Madrid tem insistido que a sua postura relativamente ao conflito no Médio Oriente permanece inalterada e que não pretende participar diretamente na ofensiva militar contra o Irão.
Confusão após declarações da Casa Branca
A tensão diplomática aumentou ainda mais depois de um episódio ocorrido no mesmo dia das declarações de Sánchez.
Durante uma conferência de imprensa na Casa Branca, Karoline Leavitt, porta-voz do Governo dos Estados Unidos, afirmou de forma inesperada que Espanha tinha aceite colaborar militarmente com Washington.
A declaração provocou imediata perplexidade em Madrid e o Governo espanhol reagiu rapidamente para desmentir a informação divulgada pela Casa Branca.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, afirmou não compreender a origem das declarações da porta-voz norte-americana.
“Não tenho a menor ideia a que se pode referir”, declarou o chefe da diplomacia espanhola durante uma entrevista ao programa Hora 25, da Cadena SER.
Albares rejeitou categoricamente a versão apresentada por Washington.
“Posso refutar a porta-voz da Casa Branca”, afirmou, sublinhando que a posição do executivo espanhol não sofreu qualquer alteração.
Segundo o ministro, “a posição do Governo de Espanha relativamente à guerra no Médio Oriente, aos bombardeamentos sobre o Irão e ao uso das nossas bases não mudou nem um ápice”.
(EM atualização)




